quinta-feira, 5 de maio de 2011

Vazio por completo

Lá se vão 5 meses.
5 longos e ABSURDOS meses.

Faz 5 meses que ele me disse que queria ficar sozinho.
Faz 5 meses que vi ele com ela naquela festa.
Faz 5 meses que fui embora chorando de lá, abismada por ele me causar tanta dor.
Faz 5 meses que olho pros lados, procurando alguém que valha alguma coisa.
Faz 5 meses que vi que eles são todos iguais.


5 meses de pessoas previsíveis ao meu redor, de gente que não vale de nada, de sorrisos forçados, de vergolha alheia, de lágrimas covardes, de saudade inútil.

5 meses de vazio.
Vazio por completo.

Não sei mais o que é sentir, pareço uma cega, que só vê uma repetição exaustiva de luzes, sem nada a acrescentar.

Lá se foi um tempo que não tem volta, um verdadeiro desperdício.

E lá vem mais 5 meses idênticos. Dias e semanas exatamente iguais, desesperados e afobados como eu.
Lá vem tudo de novo, os mesmos tropeços, erros, batidas na parede.
Porque afinal, de que adianta eu escrever aqui sobre como as coisas mudarão?
A vida tem se mostrado sempre a mesma. Longa e absurda...
Sou só uma marionete dessa peça sem graça, cansada de "atuar".

E não me venha dizer que tem pena de mim por eu não sentir nada!
Felizes são aqueles que venceram! Sorte a deles! Não é?
Pra mim resta sempre o segundo lugar. Posição de derrota, abraço o costume e o comodismo que ela me dá. Pelo menos isso: tenho alguma coisa pra abraçar.
Sou só eu e eu mesmo. Combinação perfeita em 5 meses de uma ridícula solidão.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pretexto

Me peguei pensando em você.
Viu só? Nem chorei.

Foi sobre como eu ainda sorrio na tua presença, mas ainda olho pro chão pra não ter que te encarar.
Como você me abraça e tudo vem em câmera lenta, mas logo se transforma no mesmo turbilhão que uma vez me derrubou.
Não é engraçado ver tanta mágoa reunida com tanto carinho?


Fiz listas absurdas relatando todos teus defeitos, provando o quanto você estava errado, mas acho que nem eu mesma consigo me convencer...
Eu posso te criticar e falar na tua cara o quanto te odeio e sofri pelo jeito que me tratou, mas você sempre me faz voltar atrás.
Sempre tem alguma coisa, sempre do teu jeito parece mais simples... e eu me pego na dúvida toda vez que te encontro.
Você sempre dá um jeito pra provar que eu me engano quando te nego.
Acaba sempre sendo uma briga diária comigo mesma. Eu versus eu e mais ninguém.


No fim das contas, o que faz mesmo um cara ser um cara afudê?

Me fazer rir? Ser educado? Ser humilde? Ser verdadeiro? Mostrar que vale a pena?
Ou talvez ser só você?

Às vezes esqueço que você existe. Mas quando lembro, já nem vejo as coisas ruins. E é na surpresa de recordar que noto que nunca estive errada.
Precisei de várias idas e vindas pra saber o que sempre me foi claro.
Foi tudo um grande pretexto.
E eu não preciso de palavras, músicas ou ações pra entender.

Quero que fique claro, transparente, que o que senti nunca mudou. E talvez eu que tenha confundido, mesmo.
Que pena, meu bem!
Que pena que precisei de um abismo pra ver teu sorriso lá no chão.
Mas pelo menos eu ainda te tenho aqui.
Tenho teu abraço, tuas piadas amargas, tua reclamação ranzinza, tua vontade de sempre querer dar teu melhor.
É muito bom te ver feliz.
E só isso já faz tudo valer a pena.

domingo, 1 de maio de 2011

Infinito

Sempre que sinto demais e não vale de nada, penso no quanto desperdicei.
Joguei fora, enchi e não significou coisa alguma.

Sempre espalhando a toa, sempre doando.

Dessa vez resolvi ser auto-sustentável.
Vou suprir, me bastar.

Guardei tudo.
E talvez não exista nada mais consciente do que ser responsável pelo próprio coração.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Palavras de quem ama (mas também não quer mais)

Vou te dar o texto mais bonito do mundo. E, quando você ler, vai saber que é pra você.

Vou falar do teu sorriso, disfarçado pelo teu olhar melancólico de quem sempre guarda demais.
Frases que marquem, como as pintas do teu braço direito, e que indireitem teu andar desengonçado, dos teus pés tão confusos quanto tua cabeça, que sempre se enrolam na hora de escolher que direção seguir.
Vou unir tuas palavras às minhas, engolir meu orgulho e repetir incansávelmente o quanto ainda me importo. Vou jurar de pés juntos que fomos um erro, mas um erro bom, que serviu só pra gente ver a vida inteira de outra forma.
Vou te provar que ao que senti nunca existiu igual, mas que há anos estou pronta pra caminhar sozinha.
Vou falar o quanto você me inspira, mas sem me lamentar, ou reclamar que nunca demos certo. Só vou agradecer por ainda contar com teus braços ao meu redor sempre que preciso.

Fujo todos os dias, com medo de olhar pra trás, esperando já exausta por tudo o que parece nunca chegar.
Mas nunca sei o que espero, e sigo parada, tentando descobrir o que me faz querer tanto o que vem pela frente.
Enrolo em meus dedos sílabas perdidas, que quando se unem, falam bem menos do que seu abraço parece me dizer.
Repito sentenças e abuso do ódio, mas sempre estendo a mão na esperança de te ver bem.

Não sei o que é viver sem te ter, apesar de nunca realmente te querer.
O maior paradoxo da minha vida, nada mais é do que a única saída e solução pro tanto que digo.

Quando falo que sou vazia e não sinto mais nada, é por saber que nunca vou encontrar algo que me deixe do jeito que você me deixou. Por saber que não te quero, mesmo sendo tão claro que só ao teu lado sei que sou capaz de mais.
Por tudo o que vimos, por tudo o que fomos, por tudo o que nunca seremos e o que eu nem faço questão de ser.

Todos os dias uso o sorriso que ganhei de você. E me pergunto: Pra quê eu quero esses outros 6 bilhões se, no fim das contas, eu sempre posso contar com você?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Escolhas


Tenho as mãos vazias, os pés cansados e um coração guardado no armário, que já não serve pra mais nada.

Eu, que sempre fui de acreditar, decidia pelo não, pelo nunca, pelo "e daí, quem se importa?".
Afinal, de que adianta sonhar, desejar, querer, se a gente nunca chega ao ponto?
Do que adianta você sorrir quando me vê, se, no fundo, sente pena da garota que fez por tanto tempo sofrer?

Escolho ficar debaixo das cobertas, tapada de orgulho, com uma vontade indecifrável e uma fraqueza já comum.
Escolho por não te ver, por não responder.
Escolho fingir que você nunca veio.

Escolho aceitar o que você escolheu e que me fez ficar assim.

Já faz tanto tempo que não sou mais aquela menina que você disse gostar.

E talvez seja melhor assim.
Me repugna a idéia de ser algo que agrada alguém que só soube me fazer mal.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Formato: indefinido

Cada vez que penso que te amo, caem mil desculpas no meu colo, me fazendo ver que não existem motivos pra este sentimento sem razão. Mas não adianta, meu amor. Como eu gostaria que você se desse conta do potencial que existe em nós dois.

terça-feira, 5 de abril de 2011

De novo

Me sinto uma farsa, desperdiçando palavras sobre aquilo que não sinto.
Sorrisos desonestos, que imploram por uma escapatória, gritam a noite e sussurram todos os dias no meu ouvido, o quanto já cansaram de uma estampa que já não trasmite mais nada.

Me escondo atrás de mesas de escritório, que me abraçam durante o horário comercial.
Decoro textos que são ditos em frente às câmeras, mas, atrás delas, nunca sei o que falar.

Sangro as pontas dos dedos, forçadas a desabafar, seco os olhos tão acostumados com um afogamento contínuo, cansativo, patético.

Engulo seco, palavras cortadas ao meio, vomito frases sem sentido algum.
Não olho fixo, desvio, nem vejo.


Fujo com a mesma covardia infantil usada por quem soltou minha mão.
Busco, procuro, desisto. Não preciso de muito pra escapar do que não consegui arrumar.