A Paula nunca gostou da Maria. Mas a verdade é que a Maria nunca tinha feito nada pra Paula. Nada além de existir.
A Paula gostava mesmo era do Mateus.
Ele era lindo... com um olhar que talvez não dê pra colocar em palavras.
E o Mateus até gostava da Paula, mas ele também gostava da Maria... que não queria nada com ele.
Logo a Paula e o Mateus ficaram juntos. Foi quase na mesma época que a Maria começou a gostar dele.
Foi aí que ele largou a Paula pra ficar com a Maria.
E foi então que a Paula soube...
Ela soube o que já sabia.
A vida me dá o drama e devolvo o cálculo. Nenhuma solução. Escuto, escrevo, falo, comento. Sinto. Até demais.
terça-feira, 23 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Lado de lá
"E morrer?"
Ela perguntou, assustada.
"Nem deve ser tão ruim." respondeu. "Olhe ao redor: alguma coisa aqui ainda te anima?"
"Não..."
Sorriu. "Então. Quem sabe não tem coisa melhor do lado de lá?"
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Surra
Uma vez eu tentei, mas acho que tentei errado.
O problema é tentar alguma coisa que você não sabe o que é.
Acho que há algum tempo eu venho com essa sensação de não saber o que quero ou o que devo fazer. Como se tivessem me largado perdida em um labirinto.
“Vai lá e te vira”.
E olha quanto já andei pra nunca chegar ao fim. E quantas vezes eu só quis dar meia volta e tentar recomeçar.
Não sei quando foi que eu me perdi assim. Quando eu perdi o controle do jogo. Quando entrei no automático.
Um empurrão nas costas. “Caminha e não olha pra trás”.
No fim a gente se acostuma com a sensação de ser acostumado com o que não devia se acostumar. E o tentar errado vale, porque foi uma tentativa, eles dizem.
Talvez meu labirinto não tenha fim.
Talvez seja só uma piada pra alguém rir e apontar. “Olha lá como ela não consegue resolver”.
E eu tento.
E eles riem.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Papel
Tremeu, como tremia sempre.
Temia.
Era medo de quê?
Não dava mais.
Ele me ligou esses dias, pedindo um pouco de atenção. Desliguei o telefone aos prantos, por me sentir fraca, incapaz, inútil. Mais uma vez.
Podia parecer qualquer coisa, na verdade nem eu sabia bem o porque de tudo aquilo.
Enter e esc, pra variar.
Havia chovido e eu era um papel jogado no chão.
Molhado, eu não tinha mais utilidade.
Nem pra ele, nem pra ninguém.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Do tempo
Mais uma vez, como todas as outras vezes. Como todos os anos, como todos os dias.
Talvez seja uma arte. Talvez seja só besteira.
Mas devia ser admirada.
Quanto alguém merece por segurar um choro? O choro da mesma dor de sempre. O mesmo de tempos atrás.
Toda hora a mesma sensação, a sensação que tinha certeza que um dia ia passar, que uma hora ia embora.
Deixou o tempo cuidar de tudo, mas será que o tempo anda tão ocupado assim?
De novo, de novo e de novo.
Segura o choro e não assume nossa verdade.
“A gente vai conseguir, a gente vai conseguir...”
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Matemática simples
"Não é um saco que todas as bandas que você mais gosta foi ele que te mostrou?" ela me perguntou, com um sorriso na cara.
É, era sim.
"Não, não é assim. Nunca lembro disso."
Sempre lembrava.
"Tipo aquela vez que ele te mandou o arquivo e disse pra você escutar se quisesse. Você quis ouvir só porque ele tinha mandado, né?"
Sim. Ninguém tinha um gosto melhor.
"Nah, ouvi de curiosa. Aliás, até demorei pra ouvir."
Ouvi no mesmo dia.
"Ele sumiu né? Você sente falta?"
Todo dia.
"Nem lembro que ele existe."
É, era sim.
"Não, não é assim. Nunca lembro disso."
Sempre lembrava.
"Tipo aquela vez que ele te mandou o arquivo e disse pra você escutar se quisesse. Você quis ouvir só porque ele tinha mandado, né?"
Sim. Ninguém tinha um gosto melhor.
"Nah, ouvi de curiosa. Aliás, até demorei pra ouvir."
Ouvi no mesmo dia.
"Ele sumiu né? Você sente falta?"
Todo dia.
"Nem lembro que ele existe."
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Bósnia
Acho que um dia vou enlouquecer. Se é que já não enlouqueci.
Vou me enrolar em lembranças, em dias que já foram, vou mergulhar nesse emaranhado de sentimento, de "coisa-que-nunca-passou", de tudo, e vou pirar.
Vou ficar lá dentro, presa, perdida, louca.
Sempre que passo por um exemplo dessa sensação, me programo, automaticamente, pra que não seja a última e derradeira vez. Talvez tenha aprendido com o tempo. Uma espécie de treinamento de exército pra não morrer durante a guerra. A guerra que acontece aqui dentro.
Só que os tiros e as bombas daqui parecem sempre piores. Auto boicote. Sabotagem. Como se o eu "interno" odiasse quem o leva poraí, e estivesse fazendo de tudo pra destruí-lo. Como se não houvesse outra solução, senão o fim.
Acho que já tô enlouquecendo.
Se é que já não enlouqueci...
Vou me enrolar em lembranças, em dias que já foram, vou mergulhar nesse emaranhado de sentimento, de "coisa-que-nunca-passou", de tudo, e vou pirar.
Vou ficar lá dentro, presa, perdida, louca.
Sempre que passo por um exemplo dessa sensação, me programo, automaticamente, pra que não seja a última e derradeira vez. Talvez tenha aprendido com o tempo. Uma espécie de treinamento de exército pra não morrer durante a guerra. A guerra que acontece aqui dentro.
Só que os tiros e as bombas daqui parecem sempre piores. Auto boicote. Sabotagem. Como se o eu "interno" odiasse quem o leva poraí, e estivesse fazendo de tudo pra destruí-lo. Como se não houvesse outra solução, senão o fim.
Acho que já tô enlouquecendo.
Se é que já não enlouqueci...
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