terça-feira, 6 de julho de 2010

Música de queimar o coração


Como me alegro quando vejo um show bom. Não é sempre, mas quando acontece, rola uma coisa bizarra e na metade da segunda música, uma espécie de "resenha mal feita" já começa na minha cabeça. Bizarro que só me sinto assim em shows bons, que me causam algum efeito. A vontade é de correr pra casa e começar a escrever desesperadamente (e exatamente o que estou fazendo agora), mas enfim. Aqui rolaria todo aquele meu papo de "laptop embutido nos seres humanos", afinal seria de utilidade MÁXIMA pensar e já escrever ali durante o show, mas ENFIM! (risos.)
Besteiras a parte, só queria deixar registrado por aqui o TAMANHO da qualidade que a banda Sabonetes tem. Digo isso recém chegada de um show dos caras, ainda com meu coração em pedaços, e a cabeça cheia, tão cheia que precisava escrever e tentar descrever o tamanho da alegria em que senti quando o show começou.

Lembro que vi os caras pela primeira vez lá por meados de 2008, quando eles ainda eram "apenas" uma banda de Curitiba. Fiquei tão abismada com aquele som naquele dia e hoje, ao vê-los novamente no palco, me veio exatamente a mesma sensação.
O incrível é que dois anos depois da minha primeira experiência com eles, o lance continua no mesmo padrão altíssimo de qualidade que tinha lá no início. Guitarras anestesiantes, vocal limpo e sincero, naquela batida que parece que te tira de ti mesmo e te leva pra outro lugar. Aquela coisa toda que a gente sente quando escuta uma banda diferente e boa, sabe?

E bandas assim me fazem acreditar na música, de verdade. Aquele tipo de música que você não acha em qualquer lugar, mas que quando começa, você já sabe: ali está mais uma canção de queimar o coração. Completamente honesta e justa, que ultrapassa o quesito comum e geral de melodia/acordes/oqueseja. É bem mais que isso, é como aquelas experiências bizarras "extracorpóreas", e só dá pra sentir quando se escuta algo assim.


Se daqui uns 2 anos o país todo não souber quem eles são, eu desisto da vida! Bandas que atingem esse nível classudo tem que ser trilha sonora de todos nossos dias... como radinhos espalhados na cidade dando a chance de todos sentirem o que a gente também sente.

Só sei que são quase 2 da manhã e "amanhã" preciso acordar às 10 pras 6h, pra chegar a tempo no trabalho. Mas nada disso realmente importa depois de Marca página, Hotel e Boleros. Os dias serão bem melhores assim.

domingo, 4 de julho de 2010

O tragicômico

Digamos que você anda em um grupo grande de amigos. E, veja só, você se dá bem com todos. O problema, como em todo grupo grande, é que amigos ficam com amigos, e um se machuca, outro fica com ciúmes, bla bla blá... e ASSIM é dada a largada para o festival de fofocas e intrigas.
Esse é só um exemplo meramente fictício que ilustra direitinho o quanto é completamente natural do ser humano dar “pitacos” sobre a vida de um amigo.
Isso tudo porque quem tá de fora sempre acha que tem razão, sempre acha tudo mais simples, mas fácil, menos chato. Mas a real é que todos nós já estivemos em uma situação irritante parecida com esta, e só quem passa por isso sabe a verdadeira dor que é se sentir completamente perdido.
Aliás, pior que sentir-se perdido, só mesmo se magoar e magoar as pessoas ao seu redor, mesmo sem querer.

Cá entre nós, é MUITO fácil criticar. Assim como seria fácil chegar aqui e escrever um texto sobre um mundo perfeito, onde pessoas perfeitas se amam e são felizes. Óbvio, é muito fácil também baixar a cabeça e aceitar calado as coisas que são impostas a você (e não falo de “mídia”, ou sociedade... é a realidade, mesmo!).

Sirvo de exemplo vivo pra um tipo de problema como este, e assumo que minha vida se tornou uma confusão no EXATO instante em que toda aquela “utopia de vida” que EU achava que seria legal viver, deu de cara com uma situação diferente desse tal “padrão”. E ao contrário do que acreditava, aceitei a cagada e vivi completamente de pernas pro ar. Talvez tenha sido uma das fases mais divertidas de todos esses meus 22 anos de vida, e vejam bem: ia contra TUDO e TODOS. Não tinha um só dia em que não me criticavam pelas minhas escolhas, e eu sempre ficava confusa, me sentindo errada porque todo mundo dizia que era errado, mesmo.
E aí, de quem é o erro? De quem vive “errado” e me “convidou” pra ser igual, ou meu, por ter arriscado?
Entendem o que quero dizer aqui?

E exatamente por isso que pergunto a vocês: cabe mesmo a gente ficar dizendo que o erro alheio é um absurdo? Será que são os OUTROS que estão sempre errados? E porque nunca a gente?
Seria muito fácil eu colocar a culpa no próximo e chorar pra sempre, dizendo que fui vítima de uma pessoa que, na verdade, só queria ser feliz.

Quem somos nós para julgar as escolhas alheias? Quem somos nós pra criticar?
QUEM SOMOS, mesmo?
Você sabe BEM quem você é? Você faz suas escolhas.

Tenho pena de quem fecha os olhos pra realidade e se diz perfeito. De quem acha que viver é tarefa simples, de quem não arrisca, de quem baixa a cabeça pras ações, fingindo não ver o que realmente acontece.
É claro que não quero assinar aqui um documento que deixe a vida uma esbórnia e que “ninguém é de ninguém”. Mas eu SEI que, no fundo, erros não são cometidos visando o fracasso. Tem gente que erra exatamente por não saber fazer a escolha certa. E essa pessoa, como TODOS nós, tem que errar mesmo! Ela só quer achar a resposta! E todos nós somos assim. A vida é pra ser tragicômica mesmo. Não existe perfeição.

A gente cria uma fantasia na cabeça e sempre escolhe um lado pra defender. Talvez eu que seja a errada de achar que o “vilão” da história também sofre. Mas nesse romance cheios de anti-heróis que é a vida, só posso afirmar que não, nunca alguém está 100% certo.

E em toda essa confusão que a gente cria pra tentar ser feliz, só nos resta errar, errar mais um pouco, e errar um pouco mais.
Não, nunca vamos saber a resposta para todas as perguntas, e essa que é graça. Não saber as respostas só nos dá mais vontade de correr atrás delas... mesmo sem nunca encontrá-las. E qual é a graça de se saber tudo nessa vida, de estar sempre certo e nunca descobrir mais sobre você?
Certamente, quem ACHA que sabe de tudo é porque não sabe nada. Nem sobre si mesmo.

Então aqui vai o convite: Erre mais. Porque faz parte, e nos faz ser de verdade.

E se tudo isso que eu disse não fez o mínimo de sentido... bom, tentei. Porque eu ainda busco as respostas, e não vou desistir tão fácil.

Obrigada a quem me ensinou a ver a vida assim.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Doce de chocolate

Ela me disse que estava cansada da rotina vazia, mas com um sorriso no rosto, prometeu não desistir.
Prendeu os longos cabelos claros, respirou fundo e confessou que sempre chorava antes de dormir.
Não ousei perguntar o motivo. No fundo eu sabia a grande pessoa que ela era.
E às vezes me perguntava: "o que ela ainda faz no mesmo lugar?".
Ela, que na verdade nunca tinha feito nada por mim, mas que se tornou um pedaço permanente aqui dentro.

Quando nos despedimos, pedi em silêncio pra que ela conseguisse tudo o que desejasse. E como quem conversa com um melhor amigo, exigi ao meu futuro que não fizesse eu me decepcionar. Não desta vez, não com ela. Estava cansada de me enganar com as pessoas, e queria acreditar, pelo menos agora, que podia contar com alguém. Afinal, não é todo dia que encontramos amigos assim, e não é sempre que uma companhia nos faz tão bem.

Dei tchau e prometi voltar. Segura de que o destino será fiel, e com a certeza de que tudo irá para seu lugar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Conversas de elevador

Acho que já passou da hora de você entender de que não vou te deixar ir. Nunca vou soltar da sua mão, nunca vou permitir que você se afaste. Te colei aqui ao meu lado, sem intenções de largar.

Pode ser (e sei que já é certo) que nunca mais funcione. Pode ser que a gente fique nessa briga de gato e rato durante o resto de nossas vidas.
Mas, pra sempre, vou estar ao seu lado. E me esforçarei ao máximo pra ser a voz que te conforta e o sorriso que você quer receber. Não me importa se você se fecha no seu mundo, impedindo qualquer um de entrar. Não faço questão de ficar aí dentro. Posso te esperar na porta, se preferir.

O que interessa, é que te guardo em mim. Te levo em todas nossas canções, em todos os diálogos, em todas as reprises. E sempre que você olhar pro lado, estarei ali. E se você simplesmente tem medo de confiar em alguém, lembre-se de tudo o que você me ensinou. Não é meu papel ter que te passar tudo isso de volta, mas se for pra ser assim, conte comigo. Porque me sinto bem ao te ver feliz.
E só isso já me basta.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Labirintite

Sou perfeccionista, e isso ajuda a explicar.
Todo motivo de eu ainda me incomodar, de ainda sofrer pelo que já passou.
O fracasso dói.

Busco sempre os 100%, quero atingir o ponto máximo. E se não dá certo, perco o rumo, fico me punindo, me revirando na cama.

Aqui ainda dói porque deu errado. Se tivesse dado certo, seria diferente. E talvez nem tivesse o mesmo valor. Mas perdi. E a derrota, nunca tem gosto bom.

As lágrimas são meu prêmio de consolação. Mas é como aquele troféu de segundo lugar: Não ajuda, não completa. É só uma desculpa pra gente seguir em frente.

E eu sigo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ontem

Foi como antes. Foi normal, foi bom, foi rotineiro.
Não doeu, não ardeu, não se manifestou.

Não foi ódio, não foi magoa, não foi rancor.

Ontem, pela primeira vez depois de muito tempo, o peito se encheu, sem se machucar.

Ontem, depois de tanto evitar, chegamos ao ponto final: somos aquilo que sempre torcíamos que desse certo. Aquilo que todo mundo de fora acreditava que éramos, aquilo que fomos destinados a ser.

Daqui em diante, nada mais vai ser igual.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Café e biscoitos

Seria então esse o meu fracasso, não só me lamentar por tudo o que passou? Dar voltas na mesma rua, fechar os olhos bem forte pra lembrar?
Ir àquele mesmo lugar, sozinha, e ainda assim lamentar, chorar por tudo aquilo que não aconteceu. Mas também, te levar sempre comigo, com a sensação de que tenho que te proteger.
Seria esse meu pagamento por todos meus erros, me sentir mal por coisas que não te fiz? Sofrer por não ser quem você precisa, não conseguir te dar o que você merece.

Quisera eu ser perfeita pra você.

Não é de hoje que alcancei este ponto onde nada mais faz sentido. Já não são mais cicatrizes, marcas ou feridas. Me curei há muito tempo, mas ainda me sinto presa, e dói te ver assim.

Atiro minhas pedras pra não ter que lidar com a rejeição, mas talvez a errada seja eu, por tentar te afastar toda vez que você tenta fazer com que as coisas sejam normais de novo.

Sempre nessa encruzilhada de não saber se o que dói mais é o que sinto, ou ter que te assistir sofrer.
De todas as coisas que quero da vida, a que desejo com mais força, é que você seja feliz.