segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

302

Fiquei tentando lembrar coisas aleatórias e lembranças que, na verdade, eram apenas imagens de uma VHS que assisti esses dias lá em casa.
Não sei se o que sei é porque vivi mesmo, ou porque me contaram na mesa do café da manhã.

Mas todas aquelas lágrimas sofridas e o pranto doído, se transformaram num oceano que nos afogou até o anoitecer.
As cortinas todas fechadas, pra que a gente não visse que não tinha mais sol.
E o ar-condicionado ligado, pra enganar o fim da primavera, acusava essa vontade constante de enganar.

Doeu em mim.
Doeu como nunca.

E pelo vidro do carro eu vi minha vida andar perdida por aí.

sábado, 26 de novembro de 2011

Assim será

Sai com aquela vontade de ir embora sem olhar pra trás.
E quando voltei, o tempo parecia ter parado pra me avisar o quanto eu estava errada em retornar.

Ele me olhou com tanta pena que até senti dó de mim.
"Coitadinha de mim, que lástima, eu devo ser um horror", pensei.

E a gente nunca mais se falou.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Espera

Eu queria saber deixar de lado essa insegurança barata que insiste em me amedrontar.
Queria saber te colocar contra a parede e perguntar "ESCUTA AQUI, O QUE TÁ ACONTECENDO?".
Mas eu viro o rosto.
Eu escondo o sorriso bobo.
Finjo que tá tudo ótimo e viro a menina de 12 anos de novo.
Aquela que se escondia atrás da mesa da escola e não contava o que sentia pra ninguém.
A gordinha descoordenada, desinteressada e que nem interesse despertava.

É esse medo idiota, misturado com um pessimismo constante, que sempre me faz andar pra trás e não entregar nada assim, logo de cara.
Fico só jogando migalhas, achando que isso vai interessar.

Quem sabe.

Te daria o mundo se fosse preciso.
Ia e voltava da China se você me pedisse pra provar o que sinto.

Mas, de novo, só sou eu aqui com meus 12 anos e minha imaginação infantil.
Aquela coisa de querer segurar na mão depois da aula e ter um ombro pra encostar a cabeça na volta pra casa.
Sem maldade, sem malícia.

Aquela coisa pura, que desperta em mim assim que você sorri.


Tomara que seja assim pra sempre.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Estação rodoviária

Eu queria me dar ao luxo de ser feliz ao teu lado. Porque vejo nos teus olhos uma vontade parecida com a minha.
Eu queria decorar o caminho da tua casa, te arrancar sorriso, te deixar sem palavras.
Queria tua companhia pra ver um filme bobo ou pra viajar sem rumo, sem roteiro.

Queria te chamar de meu só pra ser tua. E continuar me encantando como me encanto sempre que você me olha.
Queria te provar do que sou capaz, tentar, pelo menos dessa vez ser de verdade.
Esquecer de horários, trabalhos e rotinas.
Ser só nós dois, como sei que podemos ser.

Queria chegar agora e fazer teu coração arder, como você faz com o meu.

QUERIA.

Mas eu não sei perder o medo de querer.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cimento

Uma noite dessas conversei muito com uma amiga, e me deparei com uma parede gigante de incertezas.

Em todas as frases que eu falava, sempre terminava com um "não sei".
Eu não sei de nada.

Não sei o que faço, não sei como resolver.
Quero solucionar tudo sozinha e não envolver ninguém nisso, mas às vezes dói tanto tentar que desisto rapidinho...

De novo pensei em pegar o carro e seguir sem rumo, tentar achar alguma resposta nesse tempo livre. Mas só de começar a pensar em como resolver, eu já penso em como tá tudo errado, e largo pra lá e não resolvo nada.

O ano passou voando, e tudo foi pra frente, todo mundo seguiu e arrumou uma forma de viver de verdade.

E eu sigo presa em coisas que já deviam ter ido embora há muito tempo, sigo sendo a chata que parece não conseguir apagar o que sente.

E nesse meio tempo, me vejo tonta de tanto ver que não sinto nada. Eu choro quando lembro do meu fracasso. Porque é um fracasso saber que você não consegue superar.

E nada me deixa do jeito que devia. Nenhuma sensação é permanente.
Nenhuma, a não ser essa.

A minha derrota é uma idiota. Me pega pela mão e não me larga de jeito nenhum.
É cimento nos meus pés, me prendendo e não me deixando ir pra qualquer lugar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1 + 0 =

Minha vida é sempre cheia de brechas.
Sempre tem um momento em que eu volto atrás sem querer, recaio por besteira.

Ando pensando muito em tudo. Deve ser porque agora arrumei alguém pra me ouvir e ajudar.

A insatisfação diária nunca parece terminar, o que sempre piora tudo, claro. E abre mais brecha.

Esses dias o coração ardeu assim, descontroladamente, e cheguei a conclusão de que o problema realmente é comigo.

Não vai adiantar nada eu correr e contar como eu me sinto, porque ele não vai ouvir. E vou ficar com cara de idiota.
E é essa cara de idiota que me segue, como uma cirurgia plástica permanente, que devo jogar fora.

É tudo comigo. tô sozinha nessa. E não quero ajuda alheia de quem acha que sabe do que tá falando.

Sou eu. Só. Mais ninguém.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Idiota por ainda ser a idiota

Precisava de alguma mão que me salvasse.
No desespero, estendi a minha ao desconhecido.

E há tanto tempo me vejo presa, que às vezes me assusto por me sentir exatamente do mesmo jeito.

Esses dias me dei conta de que meu coração ainda para de bater pelo mesmo motivo de alguns meses atrás. Que decepção comigo mesma. Não era pra ser assim.
Saiu até um resmungo. "Ah, por favor. DE NOVO NÃO."
Sabe quando você se sente ridículo porque chegou na parada no exato momento em que o ônibus arrancou? Me sinto assim.

Tem coisas que a gente simplesmente sabe que não podem acontecer. Que a gente sabe que não tá certo. E eu sei bem o que é certo e o que é errado. E só quero que isso passe... que eu consiga ficar bem, que recomece do zero, que não fique mais assim pelo o que já devia ter esquecido.

Superar é uma grande pegadinha. Sempre que você acha que já passou, lá vem ela de novo, rindo da sua cara.
Eu já devia ter me acostumado a essa altura do campeonato.

Escrava do que sinto, imploro por algo que me faça ser quem eu era. Já tem gente que diz nem me reconhecer mais.

E aí o que faço?
Se me esconder, perco.
Se for atrás, corro o maior risco de todos.


Olha quanto tempo já passou.
Olha quantos dias, quanta coisa já aconteceu.
Olha.
Não importa quantos passos eu dê. Sempre acabo voltando pro mesmo lugar.