quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Matemática simples

"Não é um saco que todas as bandas que você mais gosta foi ele que te mostrou?" ela me perguntou, com um sorriso na cara.

É, era sim.

"Não, não é assim. Nunca lembro disso."

Sempre lembrava.

"Tipo aquela vez que ele te mandou o arquivo e disse pra você escutar se quisesse. Você quis ouvir só porque ele tinha mandado, né?"

Sim. Ninguém tinha um gosto melhor.

"Nah, ouvi de curiosa. Aliás, até demorei pra ouvir."

Ouvi no mesmo dia.

"Ele sumiu né? Você sente falta?"

Todo dia.

"Nem lembro que ele existe."

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Bósnia

Acho que um dia vou enlouquecer. Se é que já não enlouqueci.
Vou me enrolar em lembranças, em dias que já foram, vou mergulhar nesse emaranhado de sentimento, de "coisa-que-nunca-passou", de tudo, e vou pirar.
Vou ficar lá dentro, presa, perdida, louca.

Sempre que passo por um exemplo dessa sensação, me programo, automaticamente, pra que não seja a última e derradeira vez. Talvez tenha aprendido com o tempo. Uma espécie de treinamento de exército pra não morrer durante a guerra. A guerra que acontece aqui dentro.

Só que os tiros e as bombas daqui parecem sempre piores. Auto boicote. Sabotagem. Como se o eu "interno" odiasse quem o leva poraí, e estivesse fazendo de tudo pra destruí-lo. Como se não houvesse outra solução, senão o fim.


Acho que já tô enlouquecendo.

Se é que já não enlouqueci...



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Rabisco

Já faz muito tempo que procuro alguma coisa que consiga fazer apagar os últimos 5 anos.
Não tudo, não inteiro. Talvez algumas coisas que saíram pra "fora da linha", só.
Sabe quando você vai pintar dentro de um quadrado e alguns rabiscos acabam indo pra fora da moldura? Então...

Talvez tudo isso tenha sido nada mais que rabiscos.

Rabiscos num rascunho de tudo que poderia ter sido e nunca foi.
E tudo que é, de fato, não faz o rascunho ser.
A gente tenta jogar o rascunho fora, amassa o papel, joga na lata de lixo.

Mas quanto tempo demora pra se livrar daquilo, mesmo?
Talvez nunca.
Quero apagar, me livrar, não sentir mais o peso dessas linhas nas minhas costas.

Recomeçar do zero. Conhecer tudo de novo.
Não quero mais ter essa lista de  pessoas que não quero mais encontrar, porque seria mais simples só nunca tê-las conhecido.

Nada me deixa mais próxima do fracasso que evitar.

E eu evito.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Lista do adeus

Depois de tanto tempo indo a lugares vazios e encontrando pessoas mais vazias ainda, meu maior desejo era só fugir pra longe e nunca mais voltar.
Sabe quando você tem que lidar com pessoas que deseja nunca mais encontrar?
Estava cansada disso. De dar um oi forçado, um abraço indesejado.

Tudo o que mais queria era partir, ser esquecida, começar do zero.
Qualquer ameaça de aproximação era motivo de pânico e, pra evitar, nada parecia o bastante.


Ir pra longe foi uma solução a curto prazo, já que era por pouco.
Mas já foi satisfatório pra completar a listinha de "coisas-que-nunca-mais-quero-ver".
Acho que a gente precisa de momentos desse tipo de tempos em tempos. E de nada adianta ter que fugir pra nãos mais conviver com os fantasmas. Eles são permanentes, mas, pelo menos, podem ser evitados.
A gente tem que aprender a lidar com isso, como quem amputa a perna e precisa aprender a caminhar com uma prótese.

Algumas coisas simplesmente acabam, não voltam. E a gente tem que ir pra frente. Só pra frente.

A lista tá pendurada na parede do meu quarto, pra que eu não esqueça mais da distância que se tornou necessária pra um pouco de sanidade.
Porque até quem sempre diz querer o certo, pode ser o maior vazio de todos.

Não se assustem se não me verem mais.
É melhor assim.

domingo, 28 de outubro de 2012

Vazio

Vazio.
Vazio.
Vazio.
Vazio.


Vá.



Não fui.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Quem nunca?

Tinha conseguido um gole do copo que cobiçou por tanto tempo.
E sentiu o gosto da possibilidade, mas sem matar a vontade de ter tudo pra si.

Custava a dormir, sempre tentando entender o que a mente parecia querer lhe explicar. Não era simples, e armadilhas tolas a pegaram no caminho.
Quando acordava, queria marcar um dia a menos no calendário, mas talvez pudesse ser um dia a mais.

Um dia a mais tentando superar, um dia a mais tentando mudar, um dia mais simplesmente tentando.

Ninguém morre só de tentar.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Empolgação na frustração


Eu sempre quis aprender a desenhar.
Tinha vários "kits" com aquarela, canetinha e afins quando criança, mas NUNCA fui boa o bastante. Rabiscava e tentava achar que a "bagunça" das cores, na verdade, era a forma abstrata que eu tentava demonstrar alguma coisa... o que é bonitinho pra uma criança, mas uma besteira já que não tinha talento nenhum.
Logo desisti.
Assim como eu fiz com o balé, quando notei que era diferente das outras meninas altas e magras e não conseguia dançar igual (o que faz sentido, já que até hoje tô acima do peso e não tenho coordenação nenhuma).
Fiz o mesmo com o vôlei, quando meu time perdeu um torneio e preferi não me inscrever pra próxima temporada, por achar que podia ter sido quase que toda minha culpa.

Essa vida de cabeçadas na parede às vezes me parece como uma eterna roleta de tentativas frustradas. Frustadas até a gente encontrar a certa.

A certa que nunca vem, ou pelo menos nunca veio. Ainda.

É tão difícil aceitar que a gente tem que esperar, e eu já esperei tanto... Me irrito com as possibilidades que não batem na minha porta. E vou desistindo, assim, até o botão de "desligar" ser forçado.

É maré de azar sem fim. Ou com um fim bem longe daqui.
Sentir-se anestesiada em relação a tudo, às vezes, era tudo o que eu queria.