Quinta-feira, 03 de dezembro de 2009. Data marcada para o segundo show da banda Móveis coloniais de Acaju em Porto Alegre.
Infelizmente, também data do dia em que trabalhei por 15 horas seguidas e fui obrigada a fazer o trajeto pra casa em tempo recorde, pra não perder tal apresentação. Mas isso não vem exatamente ao caso.
Assumo nunca ter sido fã assídua de MCA. Lembro que os conheci na mesma época em que descobri Vanguart, e naquela época Hélio Flanders me pegou pela mão e me levou embora. Até tinha o Idem (primeiro álbum do Móveis) perdido pelo meu computador, mas ouvi muito pouco, verdade.
Apesar disso, sabia que o show deles era considerado imperdível, e me senti como o último ser humano da Terra quando perdi a primeira apresentação dos brasilienses em solo gaúcho, no Gig Rock do ano passado.
Mas esse ano, quando fiquei sabendo que tocariam no Porão do Beco, não deixei escapar. Cheguei cedo, enfrentei fila, fiquei muito tempo em frente ao palco, em pé, sem sair do lugar, esperando o espetáculo começar. E sim, que belo espetáculo!
Nos primeiro minutos de show me perdi um pouco do mundo. Na verdade, a sensação ali era de que só aquele lugar existia. Esqueci que tinha trabalhado demais, que tinha gente me empurrando, que fazia muito calor e até mesmo nem lembrava que teria que estar às 7h30 no trabalho no dia seguinte.
Não sei se era a música, a banda em si, o clima, ou as pessoas ao redor. Só sei que entrei em êxtase, como se estivesse anestesiada.
Tá, agora você pensa “nossa, quando exagero só por causa de um show!”. Tudo bem, eu também achava isso quando várias pessoas vinham me falar de que o show dos caras era divino. Mas eles conseguiram superar TODAS minhas expectativas. E elas não eram poucas!
Fazia muito tempo que não me divertia desse jeito, e que não me entregava tanto a um show. Aliás, acho que nunca vi uma banda tão boa em palco. Sou fã de vocalistas carismáticos (Acho essencial, na verdade), mas assumo ter ficado boba por ter que lidar com uma banda INTEIRA de puro carisma. Eles pareciam ter tanta confiança uns nos outros, por ficarem andando em círculos no palco, sem saber direito o próximo passo a tomar. Mas talvez sejam apenas loucos. Viviam cada segundo ao máximo, e isso era notável cada vez que sorriam e tiravam com a cara de alguém da banda, durante alguma canção.
Me senti um pouco boba, verdade, por saber apenas umas 5 canções num set list de umas 15 músicas, em que o público cantou todas, sem parar, às vezes soando até mais alto que o vocalista, André Gonzales. Mas a verdade é que você não consegue não entrar na brincadeira deles. É como se você comprasse uma passagem pra uma viagem, e não pudesse parar na metade do trajeto. Você não consegue. E também não quer.
Fico realmente feliz em ver que temos uma banda com tanta qualidade em nosso país, e mais ainda, que está no caminho de ter o reconhecimento que merece. Pois todo mundo deveria ouvir Móveis. E por mais que por um instante passe por nossas cabeças “Imagine um dia que tocarem num lugar grande, como o Opinião. Será que a apresentação perde a magia?” a gente logo se dá conta de que esse egoísmo é tolo, e que TODOS mereciam pelo menos uma noite de Seria o rolex?, a roda em Copacabana, a chuva de papel em Adeus e o encanto de O Tempo.
Saí do Porão sem sentir meu corpo. A perna parecia não querer obedecer o cérebro, mas consegui chegar em casa. Acordei ainda sob efeito do show, sem conseguir assimilar o que havia acontecido.
Agora, às 23h de Sexta-feira, dia 4, sigo do mesmo jeito. Mole de sono, cansada por culpa de mais 15 horas de trabalho que resolveram atrapalhar meu dia. Mas embriagada pela magia de ter visto, certamente, um dos shows mais fantásticos da minha vida.