quarta-feira, 4 de julho de 2012

Empolgação na frustração


Eu sempre quis aprender a desenhar.
Tinha vários "kits" com aquarela, canetinha e afins quando criança, mas NUNCA fui boa o bastante. Rabiscava e tentava achar que a "bagunça" das cores, na verdade, era a forma abstrata que eu tentava demonstrar alguma coisa... o que é bonitinho pra uma criança, mas uma besteira já que não tinha talento nenhum.
Logo desisti.
Assim como eu fiz com o balé, quando notei que era diferente das outras meninas altas e magras e não conseguia dançar igual (o que faz sentido, já que até hoje tô acima do peso e não tenho coordenação nenhuma).
Fiz o mesmo com o vôlei, quando meu time perdeu um torneio e preferi não me inscrever pra próxima temporada, por achar que podia ter sido quase que toda minha culpa.

Essa vida de cabeçadas na parede às vezes me parece como uma eterna roleta de tentativas frustradas. Frustadas até a gente encontrar a certa.

A certa que nunca vem, ou pelo menos nunca veio. Ainda.

É tão difícil aceitar que a gente tem que esperar, e eu já esperei tanto... Me irrito com as possibilidades que não batem na minha porta. E vou desistindo, assim, até o botão de "desligar" ser forçado.

É maré de azar sem fim. Ou com um fim bem longe daqui.
Sentir-se anestesiada em relação a tudo, às vezes, era tudo o que eu queria.

sábado, 9 de junho de 2012

Nós dois

Quando te vejo, te vejo inteiro.
E lembro de todos os toques, sorrisos... e o coração acalma.

Me sinto como deveria me sentir. Ou como os filmes falaram que era pra ser, como li nos livros, como contavam na TV.

É você, e vai  pra sempre ser. Não importa o tempo, o dia, o motivo.
O sangue que corre aqui, só vai e volta por saber que sempre vai acabar em você.

A gente sabe quando não tem nada mais pra encontrar. É o beijo na testa de carinho e honestidade, o abraço de "vai ficar tudo bem", o olhar de quem sente uma segurança merecida, vencida, única. É a amizade que a gente conquista e sente orgulho.

E não interessa como vai ser, porque nós já somos.
Pro "sempre" não se tornar "nunca mais".
Pra gente ser eternamente nada menos que nós dois.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Augusta

Eu tentei organizar meus pensamentos de todas as formas, mas na minha coleção, o perdão acabou se tornando peça cara.
Ensaiei vários diálogos, fiz e refiz frases, mas acabei sempre no mesmo canto, olhando pro teto, tentando não deixar a visão embaçar.

Te busquei lá no fundo, mas nem sei se te conheço mais.

Segurei no osso do peito por tanto tempo, mas já me deixei levar.

Perdi pra dúvida.

Não existe repescagem na vida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Information travels faster

Um rancor desconhecido toma conta de mim, enquanto meu sangue borbulha e meus olhos suam, fracos, cheios de ódio e saudade desnecessária.
E eu vou me envolvendo nesse sentimento que já se tornou típico, mas segue tão estranho como há um ano atrás.

Minha vontade de tirar qualquer resquício de lembrança da mente nunca cessou. E ainda paraliso a qualquer olhar.

Não por vontade. Não por querer voltar.

Mas por insegurança, ódio, vergonha e tudo mais que nunca vai me trazer quem eu era de volta.

Me derrotaram, tirando de mim uma estabilidade conquistada, suada, livre.

Sou agora um amontoado de pensamentos ruins e desníveis psicológicos que talvez passem despercebidos por aí, mas me assustam todas as noites.
Eu fechei as portas.
Tomei um rumo distante e em nenhum momento alguma parte de mim pensa em voltar. Por que sempre que tento, vejo o quanto é em vão.


Já acabou há muito tempo.

Mas tem certas cicatrizes que insistem em me assombrar.


Eu vou conseguir.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Ontem, hoje, amanhã

Te dei a chave de casa.
Te dei a chave do meu coração.

Espalhei as pedrinhas brilhantes pra você decorar o caminho de casa, indiquei as estrelas pra você não esquecer.

Sonhei com nosso futuro.
O único que quero.

Se não for com você, que eu fique sozinha, então.

Não existe melhor companhia que aquele cheiro de roupa limpa e o sorriso que me fez realmente enxergar.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Na realidade

"Me esquece um pouco".
Cuspia as palavras na minha cara, sem piedade, sem vontade de ver meus olhos abertos.

"Foge. Vai pra longe, onde eles não possam te ver", gritou, desesperado.

E eu fui, entrando mata a dentro, sem rumo, sem saber onde ia parar.

Cai de joelhos nas pedras. Os pés cheios de bolhas e o coração despedaçado.

Limpei as lágrimas, respirei fundo. E ninguém nunca mais me descobriu.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Saudade

Sentir saudade parece que virou uma prioridade.
E eu te observo de longe pra ver se passa.

Fico imaginando como seria se tivesse tudo bem.

Me perco um pouco.



Quando quero saber se você está feliz, olho pro mesmo céu que a gente divide. E com tanta estrela lá em cima, não tem como ficar mal.
Procuro sorrir, na expectativa de que elas te entreguem o que há tanto tento te dizer.

E é assim, sem falar nada, que te falo tudo.