sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Para não dizer que não sou melosa.

Quinta-feira, 03 de dezembro de 2009. Data marcada para o segundo show da banda Móveis coloniais de Acaju em Porto Alegre.

Infelizmente, também data do dia em que trabalhei por 15 horas seguidas e fui obrigada a fazer o trajeto pra casa em tempo recorde, pra não perder tal apresentação. Mas isso não vem exatamente ao caso.



Assumo nunca ter sido fã assídua de MCA. Lembro que os conheci na mesma época em que descobri Vanguart, e naquela época Hélio Flanders me pegou pela mão e me levou embora. Até tinha o Idem (primeiro álbum do Móveis) perdido pelo meu computador, mas ouvi muito pouco, verdade.
Apesar disso, sabia que o show deles era considerado imperdível, e me senti como o último ser humano da Terra quando perdi a primeira apresentação dos brasilienses em solo gaúcho, no Gig Rock do ano passado.


Mas esse ano, quando fiquei sabendo que tocariam no Porão do Beco, não deixei escapar. Cheguei cedo, enfrentei fila, fiquei muito tempo em frente ao palco, em pé, sem sair do lugar, esperando o espetáculo começar. E sim, que belo espetáculo!


Nos primeiro minutos de show me perdi um pouco do mundo. Na verdade, a sensação ali era de que só aquele lugar existia. Esqueci que tinha trabalhado demais, que tinha gente me empurrando, que fazia muito calor e até mesmo nem lembrava que teria que estar às 7h30 no trabalho no dia seguinte.

Não sei se era a música, a banda em si, o clima, ou as pessoas ao redor. Só sei que entrei em êxtase, como se estivesse anestesiada.


Tá, agora você pensa “nossa, quando exagero só por causa de um show!”. Tudo bem, eu também achava isso quando várias pessoas vinham me falar de que o show dos caras era divino. Mas eles conseguiram superar TODAS minhas expectativas. E elas não eram poucas!


Fazia muito tempo que não me divertia desse jeito, e que não me entregava tanto a um show. Aliás, acho que nunca vi uma banda tão boa em palco. Sou fã de vocalistas carismáticos (Acho essencial, na verdade), mas assumo ter ficado boba por ter que lidar com uma banda INTEIRA de puro carisma. Eles pareciam ter tanta confiança uns nos outros, por ficarem andando em círculos no palco, sem saber direito o próximo passo a tomar. Mas talvez sejam apenas loucos. Viviam cada segundo ao máximo, e isso era notável cada vez que sorriam e tiravam com a cara de alguém da banda, durante alguma canção.


Me senti um pouco boba, verdade, por saber apenas umas 5 canções num set list de umas 15 músicas, em que o público cantou todas, sem parar, às vezes soando até mais alto que o vocalista, André Gonzales. Mas a verdade é que você não consegue não entrar na brincadeira deles. É como se você comprasse uma passagem pra uma viagem, e não pudesse parar na metade do trajeto. Você não consegue. E também não quer.


Fico realmente feliz em ver que temos uma banda com tanta qualidade em nosso país, e mais ainda, que está no caminho de ter o reconhecimento que merece. Pois todo mundo deveria ouvir Móveis. E por mais que por um instante passe por nossas cabeças “Imagine um dia que tocarem num lugar grande, como o Opinião. Será que a apresentação perde a magia?” a gente logo se dá conta de que esse egoísmo é tolo, e que TODOS mereciam pelo menos uma noite de Seria o rolex?, a roda em Copacabana, a chuva de papel em Adeus e o encanto de O Tempo.


Saí do Porão sem sentir meu corpo. A perna parecia não querer obedecer o cérebro, mas consegui chegar em casa. Acordei ainda sob efeito do show, sem conseguir assimilar o que havia acontecido.

Agora, às 23h de Sexta-feira, dia 4, sigo do mesmo jeito. Mole de sono, cansada por culpa de mais 15 horas de trabalho que resolveram atrapalhar meu dia. Mas embriagada pela magia de ter visto, certamente, um dos shows mais fantásticos da minha vida.

5 comentários:

Eni de Paiva disse...

Assino embaixo.
Assisti ao show deles, ontem, em plena praça, aqui em Santa Maria, e ratifico tudo que você disse: os meninos são muito carismáticos, o público entra em êxtase, o astral é altíssimo e, quando acaba, a gente não sonsegue arredar pé, na esperança que eles vão retornar ao palco indefinidamente.
Com certeza, uma das melhores apresentações que já vi.
Valeu sua indicação. Você, realmente, sabe das coisas.

guriazinhall disse...

Realmente o show é um espetaculo e os meninos são uns amores eu sou mais uma das que estava na praça aki em sta maria em extase foi liiindo demais....Ainda to meio sem palavras para descrever o que realmente foi o que aconteceu ontem realmente vale mto a pena assistir o show deles pq é um espetaculo mesmo que vc saiba só 5 músicas ou nenhuma o astral é ótimo e isso é uq importa recomendadissimo!!!!!

Beto disse...

Olá renuska,
tudo bem?
Sou flautista da banda e descobri o texto olhando os comentários no orkut do show de Porto Alegre.
Adorei o que vc escreveu. Acho que descreve muito bem o que sentimos em palco. Simplesmente uma relação de troca. Saber que estamos compartilhando tudo. Público e banda. Alegria, confiança, sorrisos, esbarrões, tropeços e claro, música. Me senti muito feliz lendo o texto. Sabendo que a banda está construindo algo que deixa as pessoas felizes. Que as muda de alguma forma. Que beleza... Obrigado pelas palavras.
Sempre que puder, apareça nos shows, ok? grande abraço!

Clari Togni Decorações disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo disse...

É tudo bem verdade, o show é demais, mas quem está mais perto dos caras como nós aqui de Goiânia pode às vezes achar tudo meio repetitivo. O show do Idem, p.ex., vi umas três vezes, e a última (minha e da banda antes de iniciar a gravação do 2º álbum)foi na noite do The Hives em Brasília, e ali percebi uma coisa: é um espetáculo pra se ver uma única vez, assim como boas peças de comédia (e não há nenhum descrédito nessa comparação), onde ouvir a mesma piada uma segunda vez pode ser meio insosso!
Bom, talvez esteja reclamando de barriga cheia, tanto que me dei ao luxo de ficar de fora do show deles no último Goiânia Noise! Agora, voltando ao início do meu texto, é verdade, o show é demais, se é que vc entende minha contradição...