terça-feira, 22 de junho de 2010

Ilusão

Não te amo mais!
Apesar das pernas tremerem, do coração bater mais forte, do ar não circular, não te amo mais!
Juro, meu sorriso quando te vejo é fachada!
Meus sonhos, todos falhos.
Não sinto nada, tenha certeza!
Nada comparado ao que senti!
Sinto raiva, sinto dor, pena e mágoa.
Mas amor? Nunca!

Amor só vale a pena quando é recíproco.
O que sinto é ilusão.

sábado, 19 de junho de 2010

Tempestade

De onde vem essa vontade de estar sempre ao seu lado?
Me perco em calendários antigos quando estou sozinha, mas o futuro só age ao meu favor quando estou contigo. Me sinto muitas vezes uma enorme tola, por me deixar levar pelo que me faz tão mal. Adio os momentos de solidão pra não ter mais que lamentar, e guardo as lágrimas numa gaveta, substituidas por longos sorrisos quando estou com você.

Me dói ver que às vezes sou apenas metade. Quero ser inteira, sem medo. Não tenho motivos pra me distribuir em pedaços, mas uma parte de mim luta, ainda presa àquelas lembranças que me assombram antes de dormir.
Ao teu lado a vida é outra. E isso me faz fiel à idéia de que não existe outra forma de se viver. Porque apesar das lágrimas que acompanham meu sono, quando acordo, sou invadida por essa alegria sem fim de um coração que grita de felicidade.

A chuva lá de fora assusta, mas a vontade de se molhar é grande. Nessa tempestade, tudo o que queremos é se entregar. E na cegueira de um amor insistente, recupero minha visão, decido a caminhada e entendo tudo.

Meu coração, preso a tua mão, e é assim que tem que ser: A vida parece que finalmente faz sentido.

domingo, 13 de junho de 2010

Runaway

Tô começando a me acostumar com dias corridos. Parece que to sempre correndo contra o relógio, fugindo dos ponteiros, com medo de que me alcancem.
Espero não tropeçar.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Automático

Deixei meu coração no aeroporto.
E foi embora.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Acidente de percurso

Foi tudo como um acidente. Um grave acidente. Uma tragédia, eu diria.

Você, o motorista, saiu ileso.
Eu, a passageira, fiquei pior.
Arremessada pra fora, voei por quilômetros, numa velocidade desconhecida, por um tempo inimaginável.
Não foi fácil.
Tive uma recuperação longa. Chata, dolorida, sofrida. Passei muito tempo tendo que lidar com as feridas, e hoje ainda tenho cicatrizes pra contar a história.
Não existia reabilitação boa o bastante pra me curar rapidamente. Tive que esperar. E entre os diversos tratamentos escolhidos, só o último mostrou resultado. Reagi bem.

Já mostro resultados, e o último exame foi positivo: Estou 80% curada.
Ainda sofro com o trauma, ainda dói. Mas me disseram que to quase curada. Acreditei.

Espero que não seja só uma fase.

domingo, 6 de junho de 2010

Vibe “Marina Silva”

Pra quem não sabe, Marina Silva é pré-candidata à presidência da República pelo PV, e esses dias disse ser contra o casamento gay. A declaração causou uma confusão enorme no Twitter, vários “eleitores em potencial” da Marina disseram que não iriam mais votar nela, e enfim. Foi grande o “estrago”.
Pra responder aos baderneiros, nada de desculpas, nada de “voltar atrás”. Marina disse que preferia perder eleitores a mentir sobre sua posição, ou falar sobre coisas aleatórias só por agradar.

Abracei a ideia. Sou a favor do casamento gay, diferente da pré-candidata, MAS... Sabem, concordo com ela em um ponto: Se você não gosta da minha opinião, sinto muito. Mas não vou mudá-la só pra te agradar. E muito menos vou fazer com a maioria, acomodada, que segue o fluxo.
Não tenho mais idade pra forçar sorriso.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mar Aberto

Não gosto de despedidas, e não sei lidar com a rejeição.
É triste quando uma relação é cortada ao meio, não sei me livrar de algo que ainda me preocupa.
Me sinto como se estivesse debaixo d'agua, desesperada, procurando ar.
Me esforço tanto pra chegar à superfície, mas sempre pareço precisar de mais e mais ar.
É assim que me sinto há muito tempo.

E a correnteza me leva.
Fraca, vou com ela, e não tenho mais forças pra voltar.
Estou no fundo de novo, sufocada, sem respirar.
Procuro por minha superfície, mas ela parece não ter oxigênio.

Com as mãos atadas, me deixo levar. Vivo as lembranças. Velhas, antigas, passadas.
Entro em transe, fico inconsciente por não mais respirar.

No fim do caminho, já com o corpo exausto, me dou por vencida.
Saio desse mar aberto, e assumo minha derrota.

Não mergulho mais.