quinta-feira, 10 de março de 2011

Dois mil e muito

Sempre que surge essa vontadezinha de desistir, lembro do que me fez começar. Do meu maior motivo, do que me fazia correr atrás de todas as possibilidades, me virar em várias pra pelo menos tentar.

Sensação constante de nadar contra a maré.
Procuro não me abater e não misturar o que deve ficar sempre bem separado, e sempre fui mestre na arte de “não demonstrar”.
Mas já faz um tempo que perdeu a graça, e acreditem: é difícil não conseguir fingir.

Pra mim, fugir de alguma coisa ou “desistir” não é sinal de fraqueza. Às vezes deixar algo tão importante pra trás é difícil demais, e acaba se tornando uma decisão tão absurda e confusa, que a gente se torna mais forte por escolher o caminho que não traz mais essa segurança de fazer tudo o que os outros esperam que você faça.

Mas o impulso é meu inimigo. E preciso de foco pra fortalecer essa minha fraqueza infantil de quem não sabe mais esconder tanta decepção.

Vou precisar de muito, de TANTO que talvez não dê tempo o bastante pra resolver.
Mas vai ser sempre do mesmo jeito: a queda livre acaba comigo, mas eu levanto, sorrio e sigo no mesmo lugar, lembrando sempre de tudo o que me fez começar.

Talvez seja do erro mesmo que a gente tira o nosso melhor.
Já cansei de tanto errar, mas tenho que aceitar: só assim mesmo pra ver que a certa aqui sempre fui eu.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Finanças de um coração falido

Qual o preço do teu pedido de desculpas? Eu pago.
Quanto custa pra gente voltar a ser o que era antes? Economizo, sei que consigo.
E pra gente reconhecer nossos erros? Me diz, faço o cheque.

Aceita cartão?

O que eu preciso fazer pra esquecer? Porque eu não consigo?
Quando vale meu orgulho? Você paga por ele?
Você paga pra poder contar comigo de novo? Olhar nos olhos, dar sorriso honesto, não negar o abraço? Me diz, vale a pena?

Nada paga o que eu perdi antes de tomar a decisão errada. E se voltar no tempo tá fora do orçamento, então me fala o que preciso fazer, quanto de dinheiro preciso guardar, a quantidade de moedas no cofrinho que preciso ter pra você fazer parte dos meus dias de novo, sem eu ter vergonha de conversar, sem eu me sentir mal por lembrar que doeu mais do que devia.

Estou disposta a qualquer proposta que me faça voltar a te ter como meu amigo.
Informações neste guichê.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O depois que nunca chega

Quando você não aguenta mais, isso começa a transbordar e não há máscara que aguente.

Quando você precisa, alguém só diz “SUPERA”, e não se importa em te consolar ou só te abraçar pra ajudar, porque esse alguém não se importa.
Ninguém se importa.

É um vazio infinito, nada parece preencher. E quando chega aquela hora que até você não se aguenta mais, se pergunta: “Porque não vim com botão de ‘hibernar’? Ia ser mais fácil me manter longe de mim mesma.”

Dá vontade de fugir, se esconder, recomeçar do zero.
Fazer novos amigos, mudar pra outra cidade, fazer uma plástica e ficar irreconhecível.
Vontade de um DeLorean e um capacitor de fluxo, de qualquer coisa que faça tudo ficar bem.

É difícil demais quando a gente não é o que esperam que a gente seja.
Mas é pior quando todo mundo ao redor não tem nada a ver com o que esperava que eles fossem.

No final, já nem se sabe de quem é o erro.
A gente só deseja colocar a cabeça no travesseiro e dormir pra passar.

Vai que dê certo…

Maria Pessimista e Joãozinho vai-dar-tudo-certo

A gente evitava algumas palavras porque era mais simples. Cortar respiração, sentimentos pela metade, fingimento pra não doer em ninguém.
A gente nunca foi "a gente", pelo menos não pra PRA gente, não pra mim.

Todo mundo achava que sabia, todo mundo achava que era óbvio, mas a gente nunca soube, nem fazia questão de entender.

Era divertido assim, reconfortante saber que ele sempre ia ser o único abraço que me deixava leve, o único sorriso que me fazia sorrir.
Eu já nem me importava com nada, é como se fossemos amigos desde de sempre, como se tivesse que ser assim, mesmo.
Era a única pessoa que me entendia, mesmo sem fazer nenhum esforço para tal.

Ele me irritava, mas tirava o melhor de mim. Era tudo na medida certa, e às vezes eu me surpreendia quando me pegava olhando nos olhos dele pela sinceridade, sem desviar, sem ter vergonha de ser aquela versão que ele despertava em mim.
Era estranho quando eu ficava tão a vontade porque já tinha me acostumado a incomodação banal.
Mas era sempre o único lugar pra onde eu queria ir, a única parte de todo o mundo que me fazia ficar bem.

Todo mundo julgava, brincava, fazia piada sobre o que achava que sabia. Nos divertiamos com o nosso próprio fracasso.

Apesar de sempre precisar de uma afirmação, quando ele me abraçava, com a mão na minha cabeça, é que eu sabia que ele era um pedaço de mim, já.
Bizarro como a gente mudou a vida um do outro, estranho como foi tudo tão natural.

Eu já não consigo mais olhar pra frente se ele não estiver lá, porque senão estarei pela metade.
O que eu guardo dentro de mim é descomunal, é familiar, é amor daquele mais puro, que a gente não espera nada em troca.
Fico sempre feliz ao ver que fomos absurdamente maiores que qualquer drama bobo por motivos pequenos.
Fico aliviada em ver que tenho ao meu lado um amigo que me faz tão bem.
É bom demais ver que a mudou.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sobre medos e maratonas

Toda vez que me pego escrevendo sobre amores e desamores, me dá um pouco de dor de cabeça.
Sou constante nesse assunto, insistente, como se sempre tivesse algo pra resolver.

Sempre são dores, chororôs, papo furado, por assim dizer.

E se eu te contar que eu só levei UM tufo DE VERDADE em toda minha vida, você acreditaria?
O resto foram só decepções. Que aliás, são bem comuns, como você pode ver.

Mas o "tufo", pra quem não sabe, é quando se atinge o limite do "pé na bunda", é o fora mais sofrido, é a realidade te dando nocaute, levando o troféu pra casa, te deixando ali, caída no chão.
Só passei por essa "derrota" uma vez (e faz tempo). Foi exatamente ela que me mudou completamente, que me deixou mais instável, mais dura, completamente desconfiada e "vazia".
Não brinco quando digo que não deixo ninguém se aproximar porque eu gosto de ficar sozinha, é mais fácil lidar com os meus problemas do que ter alguém ao meu lado me deixando "pior".
Sempre são expectativas, desejos, vontades, e a pessoa quase nunca as alcança... Só que o erro é sempre MEU, porque as expectativas são MINHAS. E as pessoas, bom, elas são APENAS pessoas.
Então é mais simples eu ficar sozinha do que ter que me desapontar sempre quando erro sobre alguém.

Mas sempre falo, escrevo, grito, e nunca sei o que me faz falta realmente. Se é companhia pra sair, se é alguém pra tomar café logo depois que acordo, ou só uma pessoa pra dividir a lasanha congelada da Sadia que SEMPRE sobra pela metade. E isso é o que mais me chateia nas férias: o tempo livre. Vocês tem idéia do quanto minha cabeça deu voltas entre dezembro e o dia de hoje? Isso atrapalha tudo... e sem dúvida foi o que me estragou nesses últimos meses. Não era pra ser assim. Não posso me dar ao luxo desse tempo porque só eu sei pra onde sou capaz de me levar quando ele sobra.

Sempre penso demais, sobre coisas demais. A análise infinita de tudo aquilo que eu nunca encontro solução. E fico falando as mesmas situações, usando diferentes palavras sobre
como "sou forte" e de como dói "saber que ele não quer nem olhar na minha cara".
Uma palhaçada.

Vai ver que é por isso que sou tão insistente ao falar de uma coisa que não faço questão de sentir: eu preciso dela. Querendo ou não.
E é nessas horas, meu caro, que levanto a bandeirinha do "EU SOU UMA FARSA!" e sou vítima de apedrejamento em praça pública! Porque sou uma completa panaca que só se mantém
longe porque tem medo do que pode sentir.

Eu já senti demais, e confie em mim, não sou familiarizada em ver tudo isso dando certo.
É tão mais fácil sair correndo do que lutar contra as coisas que nos apavoram, né não?!

Mas apesar de saber que não se aproximar é o que pode me salvar, taí um mal que vou ter que me acostumar a lidar.

A gente corre, se esgota, desidrata, quase uma maratona. As dores são parecidas e o tempo pra curar a decepção, quase uma fisioterapia. É um tratamento chato, que pede paciência, mas no fim a gente sempre ganha.
Sempre vai ter o dia seguinte pra comer sozinha os restos da lasanha, ou sempre vai ter algum filme legal passando na TV que ajuda a fazer o tempo voar.

Posso ter sido vencida pelo coração, mas essa o tédio não leva.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A memória (quase) nunca falha

Sempre amores antigos, sempre o passado.
Sempre o que "poderia ter sido", sempre o que nunca foi.

Nunca o será, o amanhã, o que está por vir.

É como se servisse um prato repleto de dias anteriores e o devorasse, sem previsão de fim.

É o calendário que anda ao contrário, são as lembranças que invadem o presente.

É a falta de coragem de dar o próximo passo e dizer "pronto, passou".


Porque nunca passa, mesmo. Afinal, se passasse, como eu iria lembrar?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Manual de superação

Ela nunca foi de guardar rancor, e no mundo dela, isso era muito bom.
Mas sempre tinha ódio de alguma coisa, e se controlava pra não ser tomada pela raiva ridícula desse tal orgulho idiota que todo dia teimava em aparecer.

Odiava ele. E NOSSA, como odiava. Ódio infantil, com vontade de vingança pré-escolar, de puxar cabelo e colocar o pé pra tropeçar.
Mas preferia o silêncio, porque não tinha coragem, não podia... e também nem queria...

Odiava o fato dele também ir aos mesmos lugares que ela.
As mesmas festas, os mesmos amigos, tomar da mesma cerveja, comer da mesma comida, "O QUE ELE FAZ AQUI?".
Saía na esperança de não lembrar, mas ele estava sempre lá.
Mas ela era uma completa idiota, e no fundo gostava da presença dele, porque era naquele sorriso que ela se sentia bem. Mas como uma verdadeira idiota que era, bastavam só mais 5 segundos pra sair gritando o já comum "SAIIII DA MINHA VIDA", com os bracinhos pra cima, no mais clássico estilo "desenho animado".

"Porque não arranja novos amigos? Porque não vai visitar a namoradinha perfeita que mora longe? PORQUE TEM QUE SEGUIR AQUI?"

Mas ela esquecia do que precisava realmente esquecer, e abria os braços pra recebê-lo, como sempre fazia (e não seria sensacional se os abraços durassem mais tempo?).
Era incrível a facilidade que ele tinha de fazê-la sorrir, E QUE ÓDIO, ela não queria sorrir!

Tudo que ela fazia era sair de casa pra tentar esquecer. Afinal, essa era a primeira e ÚNICA regra do manual de superação: NÃO ARRUMAR TEMPO LIVRE PRA PENSAR BESTEIRA.
E lá ia de novo, todos os dias, não importava onde e nem com quem.
Diferentes filmes, lugares, copos, sorrisos, lábios, músicas, corpos, e nada era o bastante, porque era tudo "durex". E durex não cola bem, durex solta, durex não segura um coração partido.
Voltava pra casa em busca da super bonder, mas nunca encontrava, sempre tava em falta.

E sabe o que era pior?
É que nos momentos em que ele estava presente é que ela conseguia ver, de verdade, que tudo podia ficar bem.
Por mais absurdo que parecesse, odiava sair pra "esquecer" porque ele nunca estava junto, sorrindo, como ela sempre gostava de ver.
Era ali que tudo voltava a fazer sentido, e já não importava o ódio, a mágoa, ou qualquer atitude que provasse o quanto ela era idiota.
No fundo ela não odiava ELE.

Só odiava saber que ele era mesmo "o cara mais afudê do mundo" como SEMPRE achou, desde o primeiro oi, e todo o ódio por ELE era inútil, fantasioso, inventado, feito pra ela ter algum motivo pra "se sentir mal".
Ele não era RUIM.
Ruim era ela tentando arrumar motivo pra curar uma ferida que talvez ela mesma tivesse criado.

Talvez fosse isso mesmo.
E era nessas horas que via o quanto ainda tinha que caminhar pra conseguir amadurecer.

Que droga que é virar "gente grande"!