segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Chuva de pedra

Acordou do NADA, infartando de ansiedade, COMPLETAMENTE sem motivo.

Eram 3 horas da manhã e ela não amava ninguém.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cidade cinza

Fiquei muito tempo pensando em como a distância complica as coisas.
Complica e sempre complicou.

E a gente viaja, pega avião, ônibus, trem, e não adianta, a saudade tá sempre ali, de brinde, nos esperando em cada desembarque, nos abraçando cretinamente.

O "tchau" corrói com a mesma intensidade que o "oi" nos transforma.

São tantas pessoas, sorrisos e rostos, tantos abraços não dados e olhares não trocados.


Somos escravos de quilômetros.

Mas, mesmo assim, no fundo a gente sabe: algumas pessoas são colocadas no nosso caminho. E mesmo que fisicamente distantes, todas as vezes serão sempre como a primeira.

Não há distância entre aquilo que é real.

sábado, 13 de agosto de 2011

"Transformers 4"

Esses dias sai com meu melhor amigo, só pra conversar. Às vezes a gente conseguia se ver com calma, sem ninguém interrompendo, sem gritarias, sem gente pedindo foto, ou tentando nos entender.
Era sempre complicado porque nossos horários quase nunca batiam, mas a gente sempre dava um jeito. Nunca era marcado, porque eu brigava se ele desmarcava em cima da hora. E ele fazia isso com frequência.
Depois de muitas brigas e discussões, ele sempre me convidava dizendo "NÃO TÔ MARCANDO...!". E no fim a gente sempre acabava indo.


Naquele dia, enquanto eu contava o quanto era difícil me entregar, ele falava orgulhoso de como sentia amor demais. Rimos da minha desgraça de quem não sabe corresponder a altura, e discutimos por horas sobre coisas em que jamais concordaríamos.
Ele falava sobre assuntos que sempre me faziam pensar. Mesmo quando achava que era tudo besteira.

Saímos dali e fomos direto pro cinema, ver o que talvez tenha sido um dos piores filmes da temporada. A gente tinha essa "maldição" de só escolher filme ruim e achar graça neles todos. Talvez nem fossem tão ruins, talvez fosse só eu. Assumo, sou muito exigente.

Mas enquanto toda sala parecia achar muita graça das piores piadas do mundo, eu respirava aliviada por ter ao meu lado alguém que realmente me entendia, que sempre sorria e apontava uma solução pra quando eu falava que nada ia dar certo.

E era essa coisa de segurança e olho no olho que me fazia ver o lado bom das coisas.

Tem gente que passa a vida inteira procurando por uma amizade assim.
Às vezes nem eu acredito que consegui.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Trem 119

O sol saiu assim, quentinho, apesar de ainda fazer frio lá fora.
E eu coloquei todas as minhas roupas pra não correr risco nenhum de ser levada pelo vento.
O trem sempre demorava pra chegar, mas era eu que sempre esperava por ele tarde demais. Ia e sempre pegava aquele vagão em que as pessoas pareciam mais tristes do que deviam.

Lembrei de uma vez que escutei "Sophia" do Esteban e fez sentido. Era dezembro. Ano passado.
E ri, porque sempre achei aquela letra alheia demais.
Hoje, por acaso, acabei ouvindo de novo.

Apesar de não fazer mais sentido algum, veio um sorriso automático, chato. De saudade, de alívio.
Ao mesmo tempo, veio uma sensação boa, inexplicável, que acabou resultando em algumas lágrimas tímidas e covardes.

Ainda não sei explicar e digerir tudo isso. Mas é bom.
É bom porque faz sentido.
Eu era a idiota que achava que sempre estava errada, e nossa, foram meses difíceis.
Só que quando a gente resolve as coisas, acaba. Sabe?
É algo como... "pronto, passou".

Foi um ponto final naquilo que eu nem sei mais como começou.

E é essa sensação calma, de coração tranquilo e seguro que eu sentia antes, que eu sinto agora.
Aquela de sempre.

O engraçado é que, enquanto escrevo essas linhas, sinto os olhos pesarem, como se quilos de areia tivessem sido jogados na minha cara.
É estranho chorar assim, por desabafo, por emoção, sem coisa ruim, sem doer.


Com o tempo a estação foi se aproximando e nem sol mais tinha lá fora. Eram só aqueles faróis fortes de sempre da BR. Eu tava indo pra outro lugar agora.
Mas sabe que eu ainda me perco? E preciso ligar pra alguém me achar, pedindo ajuda.
"Me busca lá?".
Acho que nunca vou mudar... você sabe!

Só que o meu caminho não é o mesmo.

Enquanto enxugo o rosto, lembro de você dizendo estar feliz por mim.



Chegamos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Âncora

Às vezes falta alguma coisa e eu não sei direito o que é.
Aí coloco aquelas músicas do Thomas Dybdahl pra tocar.
Às vezes parece que é muita informação pra processar... em outras, parece que é pouco... que tem que ser mais. Mas mais o que?

Eu queria ter tido algumas respostas antes. Quero conseguir solucionar isso.

Não gosto muito de planos e projetos, independente de quais sejam. Não gosto porque eles nos dão expectativas. E as expectativas da minha vida SEMPRE resultaram em decepções. Mas de que adianta querer o dia seguinte se a gente não pode esperar muito dele? É aí que volto pra essa droga de ciclo idiota, que sempre me leva pro mesmo lugar. Pras mesmas músicas do Thomas Dybdahl e pro vazio inexplicável.

É engraçado ver gente dizendo que gostaria de estar no teu lugar. Principalmente quando nem você sabe se é ali mesmo que queria estar.

Minha cabeça tá sempre longe. Não sei o que precisa acontecer pra colocar finalmente os pés no chão.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quando vem, quando vai

Fico pensando muito, até mais do que devia.
Tanto, que às vezes tento resolver tudo o que não foi resolvido. Só que sozinha... e aí não rola.
Quando rola esse tempo livre, quando rolam as viagens longas, ou só aquela noite em que a gente demora mais pra dormir...

Fiquei lembrando da última vez que fui pra São Paulo e voltei mais confusa que mocinha em final de novela das 8.
Aquela coisa de ter esperança, mas não ter certeza. Acontece.
Pensei em tudo o que fiz, falei, imaginei. Pra que, mesmo?
Dessa vez eu achava que ia ser a última.

Deve ser comum isso nas nossas decepções, não? A gente leva um tombão e acha que nunca mais a gente vai se sentir bem.
Ou pior, a gente acha que nunca mais vai deixar ninguém se aproximar pra não quebrar a cara de novo.
Isso talvez explique muitas discussões que tenho tido nos últimos dias.

É muito babaca essa sensação de não conseguir confiar em mais ninguém.
Mas é medo, né. Medo desse cinismo, de fingir que nunca aconteceu nada.
Essas coisas mal resolvidas.

Aí me sinto como se tivesse caminhando em ovos. Qualquer passo errado e já era.

É ridículo pensar que erro somos NÓS?
Não pode ser só eu, né... não pode.

Mas tudo bem.
Essas coisas na verdade me fazem ver que alguns "tufos", talvez, tenham valido a pena. Pra gente ver quem é realmente que vale alguma coisa, em quem a gente pode confiar, com quem a gente tem que ter sempre um pé atrás.
É bem complicada essa sensação de ser passada pra trás, de ser trocada, enganada, ou sensação de seja lá o que fizeram comigo.
Mas sempre fico lembrando de que tudo que vai, volta.
E volta MUITO BOM pra quem merece.

É engraçado quando acontecem esses "acidentes bons" com a gente, gostar de quem a gente não queria. Aquele velho papo que a gente não controla o que sente.
Isso tudo anula um pouco tudo o que penso.
Já tava sentido falta dessa sensação de simplesmente não pensar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Branco e preto

E se ele fosse o cara certo?
E se eu tivesse deixado passar?
E se fosse tudo por culpa de um passo errado, tudo por causa de uma palavra mal dita, um suspiro não dado?

E se fosse tudo MINHA culpa e eu tivesse mudado toda a rota da minha vida?
A gente pode estragar o nosso destino?
Existe isso?

Ou a gente estraga porque é só nosso inconsciente desejando algo melhor?

E como a gente pode saber disso?

Aliás, tem como?


São tantas perguntas que às vezes acho que, ao invés de um coração, carrego um ponto de interrogação.