domingo, 14 de março de 2010

I'm fine without you

E quem não adoraria ter uma borracha pra apagar algumas lembranças? E quem não gostaria de apagar algumas pessoas, e fingir que nada aconteceu?
Claro, num estilo como "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Um Lacuna Inc pra salvar nossas vidas daquele passado que nos atormenta. Porque tem coisas que passam por nós, e não foram escolha nossa. Óbvio, não temos como prever tudo o que acontece, e por isso somos sempre surpreendidos por decisões fora de nosso alcance...

Não gosto da idéia deste filme (apesar de ser um de meus filmes favoritos, vejam bem). Aliás, odeio todo e qualquer filme que deixa claro que estamos condicionados a um "destino", e que mesmo que você apague um fato de sua vida, aquela pessoa vai acabar voltando, porque "era assim que tinha que ser".
Não gosto disso. É como se você cortasse seu braço fora porque não quer mais aquele braço pra você, mas ele vai e cresce, contra sua vontade!

Então, adiantaria mesmo apagar alguém da sua vida?
Vocês realmente acham que valeria a pena apagar uma pessoa, todas as lembranças, tudo o que fizeram juntos, filmes, festas, shows, e principalmente, amigos que vieram na metade do caminho? A dor que você sente é realmente maior que a "lição" que você teve? E só passar uma borracha no passado resolveria tudo?

Não resolveria se, como nesse filme, estamos todos marcados pra viver de uma certa forma, mesmo que seja contra nossa vontade.
Nunca sei se que o que acontece aqui é acaso, nunca sei se vivemos traçados por um destino. Nunca sei se minhas escolhas do passado que decidem meu presente e futuro, mas só sei que na vida já consegui grandes feitos a partir de uma enorme decepção. Mas já ultrapassou a linha do "karma", já não é mais a "volta" de uma coisa ruim.
E se eu tivesse apagado? Ia ter conseguido tudo isso? Ia ter amadurecido e aprendido tudo o que hoje sei? Ou ia ser apenas 30% menos "casca dura", 20% menos sentimental, e 50% menos amarga, mas ainda com a vida que eu achava que era a única que era capaz de viver?

Será que consigo me fazer entender aqui? A dor assombra, vai e volta, nunca acaba, não se estivermos falando de um acontecimento realmente importante. Por mais que você tenha teoricamente esquecido de tudo, você vai lembrar. Você vai se arrepender, ou se perguntar porque não foi tudo diferente... e claro, por isso, apagar tudo seria muito bem vindo.
Mas, valeria realmente a pena?

Você está disposto a apagar de sua vida aquilo que fez você ser quem você é? Não. Eu não. E provavelmente a dor de me ver sem tudo isso que consegui nesses últimos anos, seria muito maior que a dor que sinto agora. A dor desse egoísmo eu não gostaria de sentir. E prefiro assim, lembrando todos os dias de todas as besteiras que fiz, e paciência! Não é assim que acontece? A gente não tem "controle" das decisões da vida? Então tá. Então se é destino, se é acaso, se é um joguinho de tabuleiro onde somos apenas as peças, que seja! Tá bom assim. E tá bom saber que aprendi, e que não vou voltar atrás.
No fim das contas, o que dói aqui mesmo é ver que tem gente que não aprendeu, e que segue os mesmos passos, faz os mesmos erros, parece não aprender nunca, segue dando com a cabeça na parede e nunca demonstra caminhar pra frente. Parece parado, no mesmo lugar.
Talvez pra essas pessoas sim, um Lacuna Inc iria servir.

3 comentários:

Tiozinho disse...

clap clap clap
excelente texto.

Lais Dornelles disse...

eu sempre falo que eu gostaria MESMO é de passar lacuna inc. na cabeça do outro. deixar as minhas memórias salvas, mas só pra mim, como se tivesse a 256481321 chaves. ;)

recomendo um autor que acho que tu ia curtir MUITO. se chama viktor frankl, é um filósofo que fala sobre a busca de sentido. em tudo na vida. inclusive no sofrimento. tem livros dele lá na puc. é FODA DEMAIS!

Rodrigo Gavião disse...

Não acredito em providencialismo. Teremos algo e seremos alguém conforme formos vivendo. Caso contrário, só teríamos que esperar sentados o tal destino chegar.

Por tanto, a estrada é importante. O que passou, passou. E podemos extrair algo de útil desses fatos passados, se estivermos dispostos a refletir sobre eles. E como refletir sobre algo que foi esquecido?

O sentido se dá retrospectivamente.