sexta-feira, 19 de março de 2010

Não é possível viver somente de razão

Sou transparente, e isso é um saco. Nesses 22 anos de vida, tudo o que fazia envolvia uma tentativa fracassada de ser mais orgulhosa e de esconder meus sentimentos. Em vão.
Eu grito o que sinto, todo dia, toda hora, a todo instante. Não consigo esconder. A sensação que fica, é que coloco outras pessoas numa zona de desconforto por culpa disso. Uma espécie de vergonha alheia. E por isso vou lá, e mais uma vez tento demonstrar uma coisa que não é real, uma casca, uma manta protetora que esconde quem realmente sou.
E tudo isso vira "inútil" quando saio gritando o que está acontecendo. É insuportável. Eu sei. E sempre tentei me esconder e "superar tudo sozinha". E aí vem alguém e me diz "tu vai ficar muito melhor quando falar sobre o que sente". E deu, é isso. Quem disse que a gente tem que ficar pensando no que os outros vão comentar sobre o que a gente sente? E não, não tô falando aqui daquelas coisas do tipo "o que todo mundo vai falar de mim?" ou "oh-meu-deus, o que será que as pessoas acham que sou?". Não falo de pessoas num modo geral, falo das envolvidas no que sinto. Elas que me interessam. E se me preocupo com elas a ponto de tentar esconder a verdade para poupá-las de "constrangimento", nada mais justo que elas entenderem quando eu vomitar todos meus sentimentos.
Sou transparente e não sei esconder minhas feridas.

2 comentários:

aquelasglaucia disse...

incrível como eu SEMPRE me identifico com o que tu escreve, nem que seja numa partezinha só.

Rodrigo Gavião disse...

E aí, jóinha!?!?

Sei bem do que está falando, pois agi assim por muito tempo. Sempre evitando certo tipo de conversas, para não me indispor. Com a esperança de que as pessoas envolvidas sacariam por si mesmas o que eu não disse. Mas percebi que estava projetando nos outros expectativas que eles não poderiam atender e, a bem da verdade, também não queriam, em muitas das vezes. E eu não queria dar o braço a torcer, não queria ser eu a ceder nesta queda-de-braços. E tudo ficava na mesma. E o mais estranho é que este tipo de situação acontecia com as pessoas próximas de mim, justamente aquelas com quem deveria ser mais fácil tratar tais assuntos.

A verdade é que cabe a nós, que somos capazes de refletir um pouco sobre a vida, darmos o primeiro passo em situações como essas. E isso não é sinal de fraqueza. É indicativo de que somos capazes de mudar, de rever conceitos. Aqueles que não conseguem tal proeza serão apenas homens-das-cavernas dirigindo carros modernos.

Nem sempre é fácil fazer isso. E muitas vezes me senti meio babaca fazendo. Mas, quando se quer algo, só podemos contar com a nossa iniciativa mesmo. Tu irá te sentir uma pessoa melhor, depois. Pode acreditar.

Bj.