Quando colocou os pés na água, não conseguiu decidir se estava fria ou não.
Só conseguia pensar em não fazer a coisa errada, em não estragar tudo, em não pensar demais mais uma vez.
E enquanto os pés afundavam na areia, ela procurava nele um apoio pra não cair. Era naquele abraço que ela se sentia bem, e já nem lembrava como tinha ido parar ali.
Olhando pras ondas sentiu uma ponta de insegurança, como quem tá perto da linha de chegada e tem medo de tropeçar.
Pensou duas vezes antes de falar, mas não conseguia "pensar duas vezes" o que sentia. E quando ele disse que tudo ia ficar bem, ela respirou fundo, fechou os olhos e pediu pra que, só daquela vez, as coisas dessem certo de verdade.
A vida me dá o drama e devolvo o cálculo. Nenhuma solução. Escuto, escrevo, falo, comento. Sinto. Até demais.
domingo, 12 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Envelope
É estranho sentir saudades de casa.
"NADA mais normal", eu devia pensar. Afinal, foram 15 anos morando no mesmo lugar, na mesma rua, com os mesmos amigos e sempre dando bom dia pras mesmas pessoas no elevador.
Foram anos muito parecidos, acolhedores... Anos de risadas gostosas e abraços confortáveis.
Por mais que me vire bem com a "solidão" que a gente ganha de bandeja quando resolve "morar sozinha", às vezes me pego olhando pros lados, procurando por uma companhia entre os quartos vazios.
É estranho sentir saudades de casa porque "ir embora" devia ser uma coisa natural. Era mais que uma vontade, sempre foi uma meta. E em nenhum momento cogitei voltar.
Mas, no fundo, eu sei: o que dói mais não é a saudade. É saber que não pertenço mais aquele lugar que SEMPRE foi tão meu.
"NADA mais normal", eu devia pensar. Afinal, foram 15 anos morando no mesmo lugar, na mesma rua, com os mesmos amigos e sempre dando bom dia pras mesmas pessoas no elevador.
Foram anos muito parecidos, acolhedores... Anos de risadas gostosas e abraços confortáveis.
Por mais que me vire bem com a "solidão" que a gente ganha de bandeja quando resolve "morar sozinha", às vezes me pego olhando pros lados, procurando por uma companhia entre os quartos vazios.
É estranho sentir saudades de casa porque "ir embora" devia ser uma coisa natural. Era mais que uma vontade, sempre foi uma meta. E em nenhum momento cogitei voltar.
Mas, no fundo, eu sei: o que dói mais não é a saudade. É saber que não pertenço mais aquele lugar que SEMPRE foi tão meu.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Sobre aquilo que a gente evita falar (Ou não)
Então, me diz, como posso colocar em palavras tudo o que quero te dizer?
Sou chata e repetitiva, mas isso é fato e acho que já ficou claro pra você.
Tenho esse lado irritante, orgulhoso, que se esconde por trás de um escudo idiota, agressivo e sem noção. Não queria ser assim. No fundo, fico esperando que você me ligue e que diga que quer me ver. Que sei lá, não tinha nada pra fazer e lembrou de mim.
Sim, um pedaço meu REALMENTE espera que isso aconteça.
E então fico aqui, sentada no mesmo lugar, olhando pro telefone, na esperança que você mande notícias.
Tenho um pouco de vergonha por me ver tão exposta, tão fora da minha zona de conforto. Olha só o que você fez comigo!
Sabe, eu não queria me sentir assim. E acho que é isso que falta te falar. Porque tá absolutamente INSUPORTÁVEL aguentar ter que pensar em todos os prós e contras, e nem assim deixar de ficar sem ar quando te vejo. Não sei o que fazer nessa situação.
Abomino o "mal resolvido", odeio qualquer coisa que seja pela metade, e não consigo lidar mais com esse nosso "comodismo" de não resolver nada com nada.
Não dá pra dar jeito em tudo sozinha.
Sou chata e repetitiva, mas isso é fato e acho que já ficou claro pra você.
Tenho esse lado irritante, orgulhoso, que se esconde por trás de um escudo idiota, agressivo e sem noção. Não queria ser assim. No fundo, fico esperando que você me ligue e que diga que quer me ver. Que sei lá, não tinha nada pra fazer e lembrou de mim.
Sim, um pedaço meu REALMENTE espera que isso aconteça.
E então fico aqui, sentada no mesmo lugar, olhando pro telefone, na esperança que você mande notícias.
Tenho um pouco de vergonha por me ver tão exposta, tão fora da minha zona de conforto. Olha só o que você fez comigo!
Sabe, eu não queria me sentir assim. E acho que é isso que falta te falar. Porque tá absolutamente INSUPORTÁVEL aguentar ter que pensar em todos os prós e contras, e nem assim deixar de ficar sem ar quando te vejo. Não sei o que fazer nessa situação.
Abomino o "mal resolvido", odeio qualquer coisa que seja pela metade, e não consigo lidar mais com esse nosso "comodismo" de não resolver nada com nada.
Não dá pra dar jeito em tudo sozinha.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Vitória
"De onde você tá tirando tanta inspiração?", perguntou aquela amiga da curiosidade irritante.
"Ah... da vida... dos filmes...", tentou desconversar. "Sabe como é, né? Quase nunca falo de mim...".
A amiga riu. Ela também.
Riso nervoso, daquele que a gente usa quando não sabe o que dizer.
Voltou pra casa contando os passos, alinhando bem os pés, caminhando sobre um risco imaginário que a ajudava a se distrair pelo caminho.
Tentava não pensar nele. Não nele! Não naquele sorriso, e de como ele a deixava sem palavras.
Nãaao, não, não.
Ela que sempre foi toda dona de si, orgulhosa por ter sempre "tomado a iniciativa" e uma atitude... Agora tava ali, olhando pra parede, se perguntando o porque de tanto sentimento, logo por quem não esperava.
"Ah, a ironia da vida!".
Se preocupava, e muito, com o que ele poderia pensar de tudo aquilo. Mas, no fundo, já não ligava.
Não ia assumir nunca o que sentia. E muito menos ia perguntar se ele podia sentir algo parecido também. Resolveu esperar sentada.
No auge de "trouxisse", preferiu se calar.
E ali ficou.
"Ah... da vida... dos filmes...", tentou desconversar. "Sabe como é, né? Quase nunca falo de mim...".
A amiga riu. Ela também.
Riso nervoso, daquele que a gente usa quando não sabe o que dizer.
Voltou pra casa contando os passos, alinhando bem os pés, caminhando sobre um risco imaginário que a ajudava a se distrair pelo caminho.
Tentava não pensar nele. Não nele! Não naquele sorriso, e de como ele a deixava sem palavras.
Nãaao, não, não.
Ela que sempre foi toda dona de si, orgulhosa por ter sempre "tomado a iniciativa" e uma atitude... Agora tava ali, olhando pra parede, se perguntando o porque de tanto sentimento, logo por quem não esperava.
"Ah, a ironia da vida!".
Se preocupava, e muito, com o que ele poderia pensar de tudo aquilo. Mas, no fundo, já não ligava.
Não ia assumir nunca o que sentia. E muito menos ia perguntar se ele podia sentir algo parecido também. Resolveu esperar sentada.
No auge de "trouxisse", preferiu se calar.
E ali ficou.
Sobre neophobia e heróis
Coitada, ela não tinha coragem.
Imaginem só, falar o que realmente sentia! Que?! Nunca!
Só uma idiota faria isso. E ela era orgulhosa, medrosa... em outras palavras, era uma verdadeira cagona.
Imagina ter que lidar com um não! Já pensou? Depois de TUDO o que passou? Nem pensar! Descartou toda e qualquer possibilidade de decepção. Abraçou forte junto ao peito as expectativas que ela mesma havia criado. Sabia que eram todas dela... mas nem por isso deixou de levá-las a sério.
Optou simplesmente por "não tentar". Ia ficar ali, sentada, sorrindo que nem idiota cada vez que lembrasse daquele abraço que parecia aquele tal "melhor abraço do mundo".
Se comparava a uma menina desajeitada de 10 anos, apaixonada pelo cara popular da escola. Ela sabia que ele nunca olharia pra ela. Ela sabia que era tudo mentira, que eles nunca dariam certo. Mas só aquele dia, que por ironia do DESTINO ele ficou na frente dela na fila do bar, já valeu o ano inteiro.
Gostava do jeito que ele a fazia se sentir (por mais que na maioria das vezes a deixasse sem reação - e completamente sem ar). Ele não era como os outros, não era vazio ou "decifrável". E apesar de isso afastar a grande maioria que só estava ali pra uma passagem rápida, a deixava cada vez mais e mais presa, sem saber muito bem que medida tomar pra conseguir voltar atrás. Porque sabia: já era tarde demais. E não tinha mais como evitar todas aquelas dúvidas...
Ela estava errada. Era tudo um erro pelos motivos mais óbvios que a vida poderia dar. Mas, no fundo, não ligava. O medo de errar era absolutamente maior do que o erro em si, e talvez por isso não se importava tanto com toda a bagunça que aquilo podia criar.
Antes de dormir, lembrou que ela tampouco era como todas as outras. Sorriu, com uma ponta de esperança de que, talvez, as coisas pudessem mudar.
No dia seguinte, quando olhou pro céu, se espantou ao ver o sol. Foi ali que se lembrou que não precisava sentir receio algum.
Pelo menos não com ele.
Encheu o peito de ar (como fazem todos aqueles super-heróis de cinema, que sempre parecem ter muita coragem), mas não fez nada que pudesse mudar a rotação da Terra ou as estações do ano. Só disse: "Vamos lá, Dezembro. Não me decepcione".
E jogou a sorte toda pro ar.
Imaginem só, falar o que realmente sentia! Que?! Nunca!
Só uma idiota faria isso. E ela era orgulhosa, medrosa... em outras palavras, era uma verdadeira cagona.
Imagina ter que lidar com um não! Já pensou? Depois de TUDO o que passou? Nem pensar! Descartou toda e qualquer possibilidade de decepção. Abraçou forte junto ao peito as expectativas que ela mesma havia criado. Sabia que eram todas dela... mas nem por isso deixou de levá-las a sério.
Optou simplesmente por "não tentar". Ia ficar ali, sentada, sorrindo que nem idiota cada vez que lembrasse daquele abraço que parecia aquele tal "melhor abraço do mundo".
Se comparava a uma menina desajeitada de 10 anos, apaixonada pelo cara popular da escola. Ela sabia que ele nunca olharia pra ela. Ela sabia que era tudo mentira, que eles nunca dariam certo. Mas só aquele dia, que por ironia do DESTINO ele ficou na frente dela na fila do bar, já valeu o ano inteiro.
Gostava do jeito que ele a fazia se sentir (por mais que na maioria das vezes a deixasse sem reação - e completamente sem ar). Ele não era como os outros, não era vazio ou "decifrável". E apesar de isso afastar a grande maioria que só estava ali pra uma passagem rápida, a deixava cada vez mais e mais presa, sem saber muito bem que medida tomar pra conseguir voltar atrás. Porque sabia: já era tarde demais. E não tinha mais como evitar todas aquelas dúvidas...
Ela estava errada. Era tudo um erro pelos motivos mais óbvios que a vida poderia dar. Mas, no fundo, não ligava. O medo de errar era absolutamente maior do que o erro em si, e talvez por isso não se importava tanto com toda a bagunça que aquilo podia criar.
Antes de dormir, lembrou que ela tampouco era como todas as outras. Sorriu, com uma ponta de esperança de que, talvez, as coisas pudessem mudar.
No dia seguinte, quando olhou pro céu, se espantou ao ver o sol. Foi ali que se lembrou que não precisava sentir receio algum.
Pelo menos não com ele.
Encheu o peito de ar (como fazem todos aqueles super-heróis de cinema, que sempre parecem ter muita coragem), mas não fez nada que pudesse mudar a rotação da Terra ou as estações do ano. Só disse: "Vamos lá, Dezembro. Não me decepcione".
E jogou a sorte toda pro ar.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Sobre dezembro e passos pra trás
"Tô com preguiça de pessoas", disse ela.
Tentou disfarçar a insatisfação, mas era visível o quanto estava incomodada.
Na tentativa de se afastar de todo mundo que parecia ser só metade, acabou sozinha.
Estava completamente descrente, mais pessimista que nunca. Faltava vontade, faltava assunto. E só conseguia pensar no quanto havia mudado e como tudo parecia tão igual.
E quando achou a possibilidade de virar o jogo, ficou preocupada de estar fazendo a coisa errada.
"Geralmente vou lá e dou o primeiro passo... mas dessa vez é diferente", continuou. "Ando tão chata e repetitiva, talvez seja só receio de ter que lidar com alguém tão diferente..."
Ele riu, fingindo acreditar.
"Teu problema é psicológico. Tá com medo de estragar tudo. Não pode ser sempre assim."
Mas era sempre assim. E lá ia ela, fingindo que estava tudo bem, dura, preocupada com as próximas palavras que sairiam.
Só que nada era tão agradável do que quando ficavam lado a lado, levados pelo silêncio.
Tentou disfarçar a insatisfação, mas era visível o quanto estava incomodada.
Na tentativa de se afastar de todo mundo que parecia ser só metade, acabou sozinha.
Estava completamente descrente, mais pessimista que nunca. Faltava vontade, faltava assunto. E só conseguia pensar no quanto havia mudado e como tudo parecia tão igual.
E quando achou a possibilidade de virar o jogo, ficou preocupada de estar fazendo a coisa errada.
"Geralmente vou lá e dou o primeiro passo... mas dessa vez é diferente", continuou. "Ando tão chata e repetitiva, talvez seja só receio de ter que lidar com alguém tão diferente..."
Ele riu, fingindo acreditar.
"Teu problema é psicológico. Tá com medo de estragar tudo. Não pode ser sempre assim."
Mas era sempre assim. E lá ia ela, fingindo que estava tudo bem, dura, preocupada com as próximas palavras que sairiam.
Só que nada era tão agradável do que quando ficavam lado a lado, levados pelo silêncio.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Dezembro (4)
Olha só quem veio bater na minha porta.
Dezembro chegou, mas não trouxe você.
Trouxe amigos, trouxe abraços, trouxe casa, trouxe calor.
Trouxe aquela nuvem longa de chuva, trouxe uma noite mal dormida, trouxe uma despedida.
Trouxe ansiedade, trouxe medo.
Te procurei entre os rostos na chegada.
Quero saber quando nossa hora vem.
Dezembro chegou, mas não trouxe você.
Trouxe amigos, trouxe abraços, trouxe casa, trouxe calor.
Trouxe aquela nuvem longa de chuva, trouxe uma noite mal dormida, trouxe uma despedida.
Trouxe ansiedade, trouxe medo.
Te procurei entre os rostos na chegada.
Quero saber quando nossa hora vem.
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