segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Metade

Quero escrever tanto, sobre tantas coisas, que as pontas dos dedos doem, na necessidade de digitar.
A cabeça, cheia, pesada de idéias perdidas e pensamentos sem razão, já não consegue mais dar conta.

Três dias foram o bastante. O bastante pra ver que falta alguma coisa.
Tá, sempre falta, blá blá blá, "você nunca tá satisfeita!", blá blá blá, sei de tudo isso.
Mas às vezes a gente não sabe explicar muito bem o que espera, o que procura. Sinto aqui aquela sensação permanente de incompleto, de metade. E quando tento me concentrar pra descobrir o que me falta, perco um pouco do ar, da noção...
E tá sendo assim há algum tempo.

A verdade é que existe uma razão pra eu nunca deixar ninguém entrar. Quando eu me privo de olhares, de amores passageiros, de coisas assim, completamente sem sentido, é por um motivo muito óbvio: não sei lidar com isso. Nunca soube.

Grito intensidade... Como diz uma grande amiga minha, eu sinto em negrito, CAPS LOCK, sublinhado...
Não adianta. Quando gosto de alguém, gosto de alguém. Não sou meio termo, não sou o que a maioria espera de mim.
Não sei ser essa garota que a cada dia tem um amor diferente. Não sei ser essa menina indecisa, que não sabe escolher com quem quer ficar... E isso me estraga. Isso me faz ser diferente, mas cansativa, insistente daquela forma chata, daquele jeito que só quem tem muito jeito consegue aguentar. E você acha que não sei disso?
É por esse motivo que fico me escondendo, engolindo as palavras, transbordando orgulho. E fico remoendo vários pensamentos inúteis nesse meio tempo... Não adianta. Sinto tudo sozinha.

E eu sei que 87,4% das coisas que me colocam nessa área desconfortável são aqui da minha cabeça. Porque eu penso demais, imagino demais, calculo todas as possibilidades... sofro por antecipação. Não sei simplesmente "deixar rolar", porque sempre acho que alguma coisa tá errada...
A gente às vezes cansa de tomar a iniciativa e não ser correspondida, sabe?
Ou de correr atrás e não receber "retorno".
E claro que morro de medo que tudo isso esteja acontecendo porque EU estraguei com esse meu jeito "profundo" de sentir tudo demais.

Mas olha BEM pra mim. Eu tô tentando, de verdade. E de peito aberto, como sempre... E na realidade, eu nunca lidei com uma situação como essa.
Você pediu calma, pediu a velocidade mínima, e me disse que ia ficar tudo bem... Eu confio em ti.
Tá difícil aqui. E sei que você não espera isso de mim...
Mas tá difícil porque não tô acostumada. Me sinto um pouco perdida no meio do nada, esperando alguém me buscar pra mostrar o caminho certo. Sempre disse que era um labirinto... e eu sigo perdida. Fico tonta procurando uma saída.

Mas sempre que eu paro e penso nisso tudo, sempre chego na mesma conclusão... Não importa o que aconteça daqui pra frente. Tô disposta a esperar o tempo que for preciso. Não vou sair daqui até que me digam com TODAS as letras que tô perdendo meu tempo.

Você é como um cubo mágico. É difícil chegar até a solução... mas juro, sou paciente.
E a gente precisa ser honesto com o que sente... e aqui tá tudo o que eu sinto, o que grito, o que quero que você entenda. E se o que falta aqui é uma resposta tua, eu seguro a barra.
Vai dar tudo certo.
Né?

Um comentário:

Ana Katarine Frota disse...

Maior texto.
Sempre sendo inteira.. e as pessoas só pela metade. Insistir ou desistir, me pergunto. Esse texto me passou uma mensagem linda e extremamente necessária. Tu escreve como eu gostaria de escrever.
Admito: admiro.