domingo, 4 de julho de 2010

O tragicômico

Digamos que você anda em um grupo grande de amigos. E, veja só, você se dá bem com todos. O problema, como em todo grupo grande, é que amigos ficam com amigos, e um se machuca, outro fica com ciúmes, bla bla blá... e ASSIM é dada a largada para o festival de fofocas e intrigas.
Esse é só um exemplo meramente fictício que ilustra direitinho o quanto é completamente natural do ser humano dar “pitacos” sobre a vida de um amigo.
Isso tudo porque quem tá de fora sempre acha que tem razão, sempre acha tudo mais simples, mas fácil, menos chato. Mas a real é que todos nós já estivemos em uma situação irritante parecida com esta, e só quem passa por isso sabe a verdadeira dor que é se sentir completamente perdido.
Aliás, pior que sentir-se perdido, só mesmo se magoar e magoar as pessoas ao seu redor, mesmo sem querer.

Cá entre nós, é MUITO fácil criticar. Assim como seria fácil chegar aqui e escrever um texto sobre um mundo perfeito, onde pessoas perfeitas se amam e são felizes. Óbvio, é muito fácil também baixar a cabeça e aceitar calado as coisas que são impostas a você (e não falo de “mídia”, ou sociedade... é a realidade, mesmo!).

Sirvo de exemplo vivo pra um tipo de problema como este, e assumo que minha vida se tornou uma confusão no EXATO instante em que toda aquela “utopia de vida” que EU achava que seria legal viver, deu de cara com uma situação diferente desse tal “padrão”. E ao contrário do que acreditava, aceitei a cagada e vivi completamente de pernas pro ar. Talvez tenha sido uma das fases mais divertidas de todos esses meus 22 anos de vida, e vejam bem: ia contra TUDO e TODOS. Não tinha um só dia em que não me criticavam pelas minhas escolhas, e eu sempre ficava confusa, me sentindo errada porque todo mundo dizia que era errado, mesmo.
E aí, de quem é o erro? De quem vive “errado” e me “convidou” pra ser igual, ou meu, por ter arriscado?
Entendem o que quero dizer aqui?

E exatamente por isso que pergunto a vocês: cabe mesmo a gente ficar dizendo que o erro alheio é um absurdo? Será que são os OUTROS que estão sempre errados? E porque nunca a gente?
Seria muito fácil eu colocar a culpa no próximo e chorar pra sempre, dizendo que fui vítima de uma pessoa que, na verdade, só queria ser feliz.

Quem somos nós para julgar as escolhas alheias? Quem somos nós pra criticar?
QUEM SOMOS, mesmo?
Você sabe BEM quem você é? Você faz suas escolhas.

Tenho pena de quem fecha os olhos pra realidade e se diz perfeito. De quem acha que viver é tarefa simples, de quem não arrisca, de quem baixa a cabeça pras ações, fingindo não ver o que realmente acontece.
É claro que não quero assinar aqui um documento que deixe a vida uma esbórnia e que “ninguém é de ninguém”. Mas eu SEI que, no fundo, erros não são cometidos visando o fracasso. Tem gente que erra exatamente por não saber fazer a escolha certa. E essa pessoa, como TODOS nós, tem que errar mesmo! Ela só quer achar a resposta! E todos nós somos assim. A vida é pra ser tragicômica mesmo. Não existe perfeição.

A gente cria uma fantasia na cabeça e sempre escolhe um lado pra defender. Talvez eu que seja a errada de achar que o “vilão” da história também sofre. Mas nesse romance cheios de anti-heróis que é a vida, só posso afirmar que não, nunca alguém está 100% certo.

E em toda essa confusão que a gente cria pra tentar ser feliz, só nos resta errar, errar mais um pouco, e errar um pouco mais.
Não, nunca vamos saber a resposta para todas as perguntas, e essa que é graça. Não saber as respostas só nos dá mais vontade de correr atrás delas... mesmo sem nunca encontrá-las. E qual é a graça de se saber tudo nessa vida, de estar sempre certo e nunca descobrir mais sobre você?
Certamente, quem ACHA que sabe de tudo é porque não sabe nada. Nem sobre si mesmo.

Então aqui vai o convite: Erre mais. Porque faz parte, e nos faz ser de verdade.

E se tudo isso que eu disse não fez o mínimo de sentido... bom, tentei. Porque eu ainda busco as respostas, e não vou desistir tão fácil.

Obrigada a quem me ensinou a ver a vida assim.

4 comentários:

Aline Bohn disse...

Fez todo sentido siiim, aceitei o convite de errar mais!

beijos renuska

Cristina disse...

Quando eu achei que tinha encontrado as respostas pra várias das minhas perguntas, percebi que as minhas perguntas tavam ''''''erradas''''''. Não só as perguntas, mas como todo o resto que eu tinha por 'certo', não fazia mais sentido, porque eu mudei. E quando as pessoas vão errando, pra achar as respostas elas vão mudando e os objetivos também.
Na real é um ciclo e eu fiquei viciada nele. Errando, vivendo e sendo feliz. :)

leleca disse...

Me lembrou um texto do Carpinejar chamado "Insista". Um dos textos mais geniais que eu já li.

"Não fique articulando frases inteligentes, comoventes, certas. Insista. Sei o valor de uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, concentre-se na dispersão.

(...)

Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores.

Tudo o que não aconteceu é perfeito. Dê chance para a imperfeição. Insista.

Estou cansado de me defender - sou só ataque. Insisto."

Jean disse...

"Tem gente que erra exatamente por não saber fazer a escolha certa."

eh o resumo! [pra mim, pelo menos]